Algarve: Sacerdotes renovaram as suas «promessas» a olhar para o futuro «com confiança», destacou bispo

D. Manuel Quintas fez a homilia a partir da Carta Apostólica «Uma fidelidade que gera futuro» do Papa Leão XIV

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

Faro, 02 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo do Algarve destacou que preside à Missa Crismal há 22 anos, e pediu a todos para “rezar também” pelo novo bispo, na homilia onde refletiu a partir da Carta Apostólica ‘Uma fidelidade que gera’, de Leão XIV.

“Meus estimados irmãos presbíteros, hoje, ao renovar as nossas promessas, não estamos a olhar para trás com saudade, mas para diante com confiança. A fidelidade que hoje manifestamos – talvez com fragilidades, talvez com cansaços, mas também com verdade – é precisamente aquela de que Deus se serve para gerar futuro”, disse D. Manuel Quintas, esta quinta-feira, na Sé de Faro.

Na homilia da Missa Crismal, enviada à Agência ECCLESIA, o bispo do Algarve explicou que esse futuro “não depende apena”s das suas forças, mas da graça que recebem, presente também nos óleos – destinados ao Crisma, aos doentes e à celebração do Batismo – que foram consagrados: “óleos que fortalecem, que curam, que enviam e são sinal e testemunho dessa ação eficaz da graça em todo o tempo”.

D. Manuel Quintas fez a sua homilia “apoiado” na Carta Apostólica ‘Uma fidelidade que gera futuro’, a primeira do Papa Leão XIV, publicada a 8 de dezembro de 2025, que assinalou o 60º aniversário dos Decretos Conciliares ‘Optatam Totius’ (sobre a Formação sacerdotal) e ‘Presbyterorum ordinis’ (sobre o Ministério e a vida dos presbíteros), e destacou três chaves de leitura.

Leão XIV, na carta apostólica, refere quatro âmbitos da fidelidade – fidelidade e serviço, fidelidade e sinodalidade, fidelidade e missão; fidelidade e futuro -, e D. Manuel Quintas começou por salientar que “fidelidade não é repetição, mas enraizamento vivo”, indicou que “uma fidelidade gera futuro, “mesmo quando, pelo cansaço do caminho, o passo se torna mais vacilante”.

“Vivemos tempos exigentes: envelhecimento, cansaço pastoral, diminuição do número de presbíteros, mudanças culturais profundas: um padre fiel não é aquele que resiste apenas, e não se desvia dos compromissos assumidos; mas aquele que continua a acreditar que Deus continua a agir nele e através dele”, acrescentou o bispo diocesano.

Na terceira chave de leitura, a partir da “unidade do presbitério como sinal credível de fidelidade”, alertou para o individualismo que “se infiltra em tudo, inclusive na vida pessoal e pastoral”, por isso, precisam de redescobrir e de reforçar a “a amizade fraterna entre presbíteros, incluindo os diáconos permanentes e alargada aos leigos mais comprometidos”, o apoio mútuo, e a corresponsabilidade na missão, “inspirados no Documento final do Sínodo: comunhão participação missão”.

Foto: Samuel Mendonça/Folha do Domingo

D. Manuel Quintas assinalou o “significado especial” que a Missa Crismal de Quinta-feira Santa assume este ano de 2026, porque preside-a há 22 anos, e foi a primeira vez que dirijiu “a palavra sentado”, um “privilégio episcopal”, mas sinal também que esperam a nomeação de um novo bispo diocesano.

“Outro Bispo com as pernas mais firmes e com a mente mais ágil e que, mesmo sem ainda o conhecermos, queremos, desde já, todos sem exceção, rezar também por ele, como vimos fazendo nas nossas comunidades”, acrescentou o responsável diocesano qye escreveu a carta de renúncia ao Papa, enviada “via nunciatura”, no dia 27 de agosto de 2024, quando completou 75 anos de idade, o limite de idade determinado pelo Direito Canónico para o exercício deste ministério.

O bispo do Algarve lembrou que ordenou “15 dos padres mais jovens” e que estão ao serviço desta Igreja diocesana, e recordou e felicitou os que celebram os jubileus sacerdotais: o padre David Sequeira, 70º aniversário de ordenação presbiteral (02.09), e os padres Henrique Varela (31.07) e António Rocha (15.08) pelo 60º aniversário de ordenação presbiteral, saudando também o bispo emérito D. Manuel Madureira e “todos os padres, com uma saúde mais frágil”, sobretudo os que não participaram desta Missa Crismal na Sé.

CB

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