D. José Miguel Pereira deixa alertas no início da Semana Santa
Guarda, 29 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda presidiu hoje à Missa de Domingo de Ramos, refletindo sobre os mecanismos que levaram à condenação de Jesus para denunciar os males da sociedade contemporânea.
“Quando o alcance do mundo mediático e digital se alargou ao horizonte global, e neste espaço a comunicação encontra formas de se subtrair ao escrutínio da verdade e de determinar, por meio de algoritmos, a informação selecionada com a qual constrói narrativas que se impõem em determinados grupos e sociedades, submergimos à manipulação que mata”, disse D. José Miguel Pereira, na homilia da Missa a que presidiu na Catedral diocesana, após procissão desde a igreja da Misericórdia.
A Igreja Católica inicia, com o Domingo de Ramos, a Semana Santa, momento central do ano litúrgico, que recorda os dias da prisão, julgamento e execução de Jesus, culminando com a Páscoa, celebração da ressurreição de Cristo.
“Podemos verificar como o processo de Jesus que conduziu à sua paixão ilumina, de forma muito acutilante e atual, a situação social do nosso tempo”, observou o bispo da Guarda.
D. José Miguel assinalou que, “quando o primado da organização social e geopolítica se desvia para o crescimento financeiro e económico a qualquer preço”, deriva para uma “economia que mata”, como dizia o Papa Francisco.
A reflexão estendeu-se ao domínio do pensamento fragmentário, substituindo a reflexão sistemática pela gratificação imediata.
Quando o domínio do pensamento débil e fragmentário se instala, com a substituição do livro e da reflexão sistemática pela mensagem curta, pela informação de acesso e aplicação imediatos sem necessidade de reflexão crítica, e pela valoração desmesurada do ‘sentir-se bem consigo próprio’ em cada momento e sem constrangimentos, submergimos à superficialidade que mata.”
O responsável católico abordou ainda a concentração de poder e a corrupção do sentido de justiça, apontando como resposta o exemplo da entrega total de Jesus Cristo.
“Quando o exercício da autoridade concentra em poucos os vários poderes, gera em quem a assume o sentimento de impunidade e poder sem limites, e corrompe o sentido da justiça pessoal e social em função de interesses e posicionamentos a manter, submergimos à arbitrariedade da força que mata”, assinalou, numa reflexão enviada à Agência ECCLESIA.
O bispo concluiu a homilia desafiando os fiéis a escutarem o apelo ao silêncio e à transformação interior.
“O seu silêncio é um apelo a repensarmos a nossa conduta e a abertura de espaço para assumirmos ou recusarmos o que Ele vem realizar”, observou.
OC
