Vaticano: Papa desafia bispos franceses a promover ações de «prevenção» de abusos

Leão XIV aborda ainda questões levantadas pelas várias sensibilidades litúrgicas

Cidade do Vaticano, 25 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa encorajou os bispos franceses a perseverarem na reparação às vítimas de abusos, pedindo que a misericórdia e a reflexão pastoral não excluam os sacerdotes culpados.

“É, de facto, conveniente perseverar a longo prazo nas ações de prevenção empreendidas e continuar a manifestar a atenção da Igreja para com as vítimas e a misericórdia de Deus para com todos”, refere o texto, divulgado pelo portal de notícias do Vaticano.

A mensagem pontifícia, assinada pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Pietro Parolin, foi enviada à Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Francesa, colocando a resposta aos crimes sexuais no centro dos trabalhos.

“É bom que os sacerdotes culpados de abusos não sejam excluídos desta misericórdia e sejam objeto das vossas reflexões pastorais”, assinala a nota.

O documento assume o impacto devastador que os escândalos tiveram no país, exigindo que a Igreja não esqueça os ministros que permaneceram fiéis à sua vocação durante este período.

Após vários anos de crises dolorosas, chegou a hora de nos voltarmos decididamente para o futuro e de dirigir aos sacerdotes de França, duramente provados, uma mensagem de encorajamento e confiança.”

Para além da questão dos abusos, a carta enviada a Lourdes aborda o “delicado tema da Liturgia”, manifestando preocupação com a “dolorosa ferida” aberta na instituição e exigindo que se encontrem soluções para incluir generosamente os fiéis ligados à celebração pré-conciliar da Missa (Vetus Ordo).

“Que o Espírito Santo vos sugira soluções concretas que permitam incluir generosamente as pessoas sinceramente ligadas ao ‘Vetus Ordo’, no respeito pelas orientações pretendidas pelo Concílio Vaticano II em matéria de Liturgia”, indica Leão XIV.

A mensagem sublinha a preocupação com a “dolorosa ferida” aberta na Igreja em torno da celebração eucarística.

“É certamente necessário um novo olhar de cada um para o outro, numa maior compreensão da sua sensibilidade; um olhar que permita a irmãos ricos na sua diversidade acolherem-se mutuamente, na caridade e na unidade da fé”, pode ler-se.

A mensagem do Papa debruça-se ainda sobre o sistema de educação, encorajando a hierarquia católica a resistir ao atual contexto de crescente hostilidade face às instituições de ensino confessionais e à sua identidade.

Os trabalhos da assembleia plenária em França, que terminam esta quinta-feira, incluem também uma análise à escalada de violência no Médio Oriente e a evocação dos mártires de Tiberina, monges assassinados na Argélia, país que Leão XIV vai visitar entre os dias 13 e 15 de abril.

OC

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