Lisboa: Patriarca alerta para risco do «mundanismo» e defende renovação da Igreja

D. Rui Valério apela a «profunda conversão missionária»

Foto: Patriarcado de Lisboa/Diogo Paiva Brandão

Póvoa de Santo Adrião, 22 mar 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa defendeu a urgência de uma mudança de atitude na Igreja Católica, durante o encontro quaresmal ‘Com Jesus, ao deserto’, alertando para a infiltração de critérios mundanos na vida religiosa.

“A Igreja de Lisboa precisa de uma profunda conversão missionária”, disse D. Rui Valério na igreja paroquial de Nossa Senhora da Anunciação, Póvoa de Santo Adrião, num debate moderado pela jornalista Maria João Avillez sobre as tentações contemporâneas enfrentadas pelo catolicismo.

“A verdadeira tentação é o mundanismo, é quando os critérios do mundo se infiltram e nos condicionam”, acrescentou, numa intervenção divulgada pelo Patriarcado de Lisboa.

O responsável diocesano identificou ainda o distanciamento da realidade e o excesso de moralismo como principais ameaças à identidade cristã, rejeitando uma pastoral baseada exclusivamente em proibições.

“As pessoas estão dispostas a ser tudo menos cristãs quando a fé é reduzida a proibições”, observou.

A intervenção sublinhou que a essência da Igreja não se esgota na sua utilidade social, mas reside na oferta espiritual e na presença viva do Evangelho na sociedade.

“Se a Igreja perde essa referência, pode ser identificada como mais uma IPSS”, sustentou o patriarca de Lisboa.

Durante o diálogo, que também abordou a relação entre o desenvolvimento tecnológico e a dignidade humana, D. Rui Valério alertou para os riscos de se avaliar as pessoas exclusivamente pela sua eficiência.

“Aquilo que se quer saber é se és competente. Estamos a aplicar ao ser humano os mesmos critérios que aplicamos a uma máquina”, lamentou.

No momento de interação com a comunidade local, da qual foi pároco durante sete anos, o patriarca reforçou a importância do testemunho pessoal invisível perante uma sociedade cultural e religiosamente diversa.

“O caminho é empenhares-te em ser profundamente cristão, viveres o Evangelho, seres fiel a Cristo”, recomendou.

O encontro encerrou o ciclo quaresmal promovido pelo Patriarcado de Lisboa.

OC

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