«Hoje, há um clamor contra o esquecimento, a injustiça, a omissão e a indiferença perante os que sofrem» – D. Armando Esteves Domingues

Angra do Heroísmo, Açores, 23 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo de Angra alertou para o “esquecimento, a injustiça, a omissão e a indiferença perante os que sofrem”, na Missa do Dia Diocesano do Doente, este domingo, 22 de março, na igreja de São José, em Ponta Delgada.
“Estais hoje na primeira linha das prioridades da Igreja diocesana e se não estiverdes ainda, tenhamos esperança que possam estar, porque é aí o vosso lugar”, disse D. Armando Esteves Domingues, na homilia do V Domingo da Quaresma, citado pelo portal online ‘Igreja Açores’.
A Diocese de Angra destaca que os seus dois sacerdotes mais velhos participaram nesta Eucaristia do Dia Diocesano do Doente, onde receberam o sacramento da Santa Unção, ministrado a várias pessoas pelo bispo e o pároco padre Duarte Melo, “um dos momentos mais significativos num gesto de consolo e esperança cristã”, e doentes da enfermaria de retaguarda da Santa Casa da Misericórdia e do Lar Luís Soares de Sousa.
D. Armando Esteves Domingues salientou que a Igreja é chamada a ser uma presença concreta junto dos mais frágeis, e alertou que “hoje há um clamor contra o esquecimento, a injustiça, a omissão e a indiferença perante os que sofrem”.
“Se todas essas pessoas não souberem que nós nos compadecemos e o nosso coração as tem como prioridade nunca acreditarão nas nossas palavras, nem na nossa esmola, realçou.
O bispo de Angra refletiu sobre a compaixão de Cristo na homilia, recordando episódios como a morte de Lázaro, onde Jesus chora com as irmãs e revela a esperança na vida eterna, assinalou que a fé permite enfrentar as tormentas da vida com confiança, e que “feliz é quem acredita e dá testemunho”.
“Trazemos ao coração desta celebração os doentes, os idosos e todos os que sofrem”, referiu também o coordenador do Conselho Pastoral da Paróquia de São José; Francisco Almeida Medeiros afirmou que esta igreja em Ponta Delgada é uma “casa aberta, com ternura, que não deixa ninguém para trás”.
A Igreja Católica celebra anualmente o Dia Mundial do Doente, a 11 de fevereiro, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, uma data que foi instituída pelo Papa São João Paulo II, a 11 de fevereiro de 1992; a Diocese de Angra assinala esta data no V Domingo da Quaresma.
‘A compaixão do Samaritano – Amar carregando a dor do outro’, é o tema do Dia Mundial do Doente 2026, a 34ª edição, e título da mensagem do Papa; Leão XIV lamentou “a cultura do efémero, do imediato, da pressa, bem como do descarte e da indiferença”, no documento que foi publicada no dia 20 de janeiro.
A Diocese de Angra tem três Capelanias Hospitalares – Ponta Delgada (São Miguel), Angra do Heroísmo (Terceira) e Horta (Faial) –, e capelanias nas Misericórdias dos Açores; a Fundação Pia Diocesana do Bom Jesus que gere a Clínica do Bom Jesus, a primeira unidade de saúde privada na região, que tem como primeiro pilar a “atenção ao doente em todas as suas dimensões”, indicou o seu presidente, Francisco Silva (diácono permanente).
O sítio online ‘Igreja Açores’ informa que a celebração diocesana do Dia do Doente marcou também o encerramento da Semana de São José, que contou com exposições, conferências e momentos litúrgicos, o bispo de Angra apelidou-o de “guardião das fragilidades”.
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