Algarve: Núncio apostólico visita diocese e explica processos de nomeação episcopal

«Por trás de uma nomeação pode haver entre quinhentas a mil cartas do núncio» – D. Andrés Carrascosa Coso

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Faro, 10 mar 2026 (Ecclesia) – O núncio apostólico em Portugal afirmou hoje que a nomeação de um bispo exige um processo de “discernimento” e a auscultação das comunidades católicas.

“É um processo de discernimento eclesial que fazemos entre todos, é bom explicar, e vi que os padres, até o bispo, estão muito agradecidos, porque normalmente não se conhecem essas coisas”, referiu à Agência ECCLESIA D. Andrés Carrascosa Coso, no início de uma visita de dois dias à Diocese do Algarve.

O representante diplomático do Vaticano esteve reunido, esta manhã, com o clero local, em Faro, tendo alertado para os equívocos que surgem da falta de informação sobre a escolha de um novo bispo.

“Se não é explicado, as pessoas acham que isto aqui é como a política”, referiu D. Andrés Carrascosa Coso, acrescentando que “por trás de uma nomeação pode haver entre quinhentas a mil cartas do núncio”.

“A maior parte foram já feitas, eu acabo de chegar, praticamente, estamos a retomar, a trabalhar todo esse material”, precisou.

O programa de visita integra, além do encontro matinal, uma reunião com a Vida Consagrada, às 17h00, no Carmelo de Faro, e com os leigos, a partir das 21h00.

“Acho importante o núncio chegar à diocese, reunir-se com os padres, como fiz hoje de manhã, com a vida consagrada, o que vou fazer esta tarde, com os leigos, hoje à noite, e explicar como é o processo o que leva o Papa a uma nomeação”, enumerou o arcebispo espanhol.

O representante diplomático sublinhou a necessidade de consultar diferentes estruturas locais, neste processo “muito complexo”.

“Nessas consultas têm participado alguns bispos, alguns padres, alguns religiosos, algumas religiosas, alguns leigos e algumas leigas, tudo expressões do povo de Deus como ele é, eu não posso ficar só falando com os bispos”, declarou D. Andrés Carrascosa Coso.

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, completou em agosto de 2024 a idade estabelecida pelo Direito Canónico para apresentar a renúncia ao cargo, que desempenha desde 2004, após quatro anos como auxiliar na mesma diocese.

A primeira consulta foi feita pelo meu predecessor [D. Ivo Scapolo], há cerca de um ano: consultam-se 70, 80 pessoas, pergunta-se como está a diocese, qual o perfil de bispo que essa situação precisa e três nomes que podem ser o novo bispo. Tudo isso, depois, tem de ser analisado, e a nunciatura faz outras consultas sobre algumas das pessoas que têm maiores convergências, que coincidem mais com o perfil”.

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Nomeado pelo Papa Leão XIV em dezembro de 2025, o núncio apostólico apresentou as Cartas Credenciais a Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República Portuguesa, a 9 de fevereiro.

O arcebispo espanhol assumiu o propósito de visitar as comunidades católicas em todo o país.

“Eu gostaria, como representante do Papa Leão, de estar presente nas dioceses, para nos conhecermos, para caminhar juntos, para saber onde é que estamos”, indicou.

A visita ao Algarve termina na quarta-feira, dia em que o núncio apostólico regressa a Lisboa.

HM/OC

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