Vaticano: Papa rejeita «confrontos» na Igreja e apela ao acolhimento sem preconceitos

«Como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são» – Leão XIV

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 08 mar 2026 (Ecclesia) – O Papa apelou hoje à superação de divisões e preconceitos na Igreja e na sociedade, sublinhando a importância de acolher todas as pessoas com disponibilidade e sem julgamentos.

“Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre nós e os outros: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que o adoram em espírito e verdade”, afirmou Leão XIV, antes da recitação do ângelus, desde a janela do apartamento pontifício.

A reflexão dominical centrou-se no episódio bíblico do encontro de Jesus com a mulher samaritana, assinalando o arranque da terceira semana do tempo litúrgico da Quaresma.

“Jesus fala com ela, escuta-a, dá-lhe atenção, sem segundas intenções e sem desprezo”, destacou o Papa, recordando a atitude do Mestre perante uma pessoa marginalizada pelas convenções sociais e religiosas da época.

O pontífice desafiou as comunidades cristãs a imitarem este exemplo de proximidade, alertando para a tentação de ignorar as necessidades e as feridas de quem procura ajuda espiritual.

“Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são”, sustentou Leão XIV.

A intervenção no Vaticano evocou os grandes textos evangélicos que acompanham os catecúmenos na sua preparação para o Batismo na Páscoa, apresentando Cristo como a verdadeira resposta à sede da humanidade.

“Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual!”, observou, citando o diário da jovem Etty Hillesum (1914-1943), morta em Auschwitz, sobre a necessidade de “desenterrar” a presença de Deus no coração.

Leão XIV exortou os milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro a aproveitarem o caminho de preparação pascal como uma oportunidade para purificar o interior.

“Não há energia mais bem utilizada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom”, assinalou.

A mensagem papal enalteceu ainda o papel da mulher samaritana, descrevendo-a como a “primeira de muitas evangelizadoras”, cuja experiência pessoal transformou a sua própria comunidade.

“Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e também neles brota a fé como água pura”, concluiu o Papa, pedindo a intercessão de Maria para que todos saibam servir uma “humanidade sedenta de verdade e justiça”.

OC

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