Médio Oriente: Bispo da Guarda acompanha «com apreensão» o conflito e apela a uma paz «desarmada e desarmante»

D. José Miguel Pereira afirma que «não basta cessar as hostilidades», mas é necessário que as pessoas se reconciliem

Foto: Diocese da Guarda

Guarda, 06 mar 2026 (Ecclesia) – O bispo da Guarda disse hoje em declarações à Agência ECCLESIA e ao jornal A Guarda que acompanha “com apreensão” o conflito no Médio Oriente e apelou a uma “paz desarmada e desarmante”, que crie condições para a reconciliação das pessoas.

D. José Miguel Pereira afirmou que em causa não está “apenas uma paz circunstancial”, mas é necessário promover “uma paz desarmada e desarmante”, como sugere o Papa Leão XIV, com “espaços de negociação, de acordos de paz”.

“Não basta cessar as hostilidades, é preciso depois criar condições de acordos que reconciliem as pessoas”, sublinhou.

O Médio Oriente assiste a uma nova frente de combates após o assassinato do líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, no dia 28 de fevereiro, e à consequente resposta armada de Teerão contra bases norte-americanas e alvos israelitas.

As operações militares conjuntas foram justificadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, com a necessidade de travar uma “ameaça existencial” iminente.

Para o bispo da Guarda, a apreensão causada pelo evoluir da guerra não impede que acompanhe os acontecimentos “com esperança”, porque “Deus não se ausentou” e “há de tocar os corações” para encontrar caminhos de paz.

“Eu acredito mesmo que nós precisamos, as pessoas que têm fé, precisamos mesmo de rezar diariamente, porque está aqui também um lugar para que a dimensão sobrenatural toque o coração das pessoas”, referiu.

D. José Miguel disse que o desrespeito pelo direito internacional “é perigoso” e “já começou há muito tempo”, com as “invasões unilaterais das potências com mais poderio militar”, nomeadamente os Estados Unidos e a Rússia.

O bispo da Guarda denunciou também o desrespeito pelo Direito Internacional no interior de alguns países, que “implica uma violência dentro dos próprios países” e a indiferença internacional diante dessas situações.

“Isto que é um bocadinho contraditório: invoca-se a lei internacional, mas só quando dá jeito. Uns só invocam por uma coisa, outros só invocam por outra”, alertou.

D. José Miguel Pereira disse que a “grande referência da lei internacional” deve ser a “fraternidade universal entre os povos”, proposta pelo Papa Francisco, pessoas de “diferentes religiões e sem religião”.

LJ/PR

Partilhar:
Scroll to Top