UCP: Pós‑Doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral procura ter «impacto na sociedade»

Para além de desenvolverem um projeto científico-académico, os investigadores «procuram sempre essa relação com as pessoas, com a comunidade»,afirmou Peter Hanenberg

Foto: Agência ECCLESIA/CB

Lisboa, 26 fev 2026 (Ecclesia) – A Universidade Católica Portuguesa (UCP) está a realizar a conferência final do seu Programa de Pós‑Doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral (DHI) durante quatro dias de “reflexão, partilha e criação de conhecimento” sobre “todas as pessoas, e toda a pessoa”

“Este programa é mesmo uma aposta da Universidade Católica num conceito de desenvolvimento que não é limitador no sentido de desenvolvimento económico, mas que pretende ter em consideração todas as pessoas, e toda a pessoa. E ser abrangente, e incluir outras dimensões do que a dimensão económica, a dimensão espiritual, social, cultural, etc”, disse o vice-reitor da UCP, e coordenador do programa de pós-doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral, esta quinta-feira, 26 de janeiro, à Agência ECCLESIA.

Peter Hanenberg, diretor da CADOS – Católica Doctoral School, explica que os investigadores de Pós‑Doutoramento em DHI durante o seu tempo no programa não desenvolvem só um projeto científico-académico, “com publicações académicas e científicas dos resultados”, mas “também procuram um impacto na sociedade”, uma “preocupação” que solicitam “a todos os fellows”.

A UCP lançou o primeiro programa de bolsas de pós-doutoramento em Desenvolvimento Humano Integral, que “pretende fazer ciência pelo bem-comum”, em 2021.

A conferência final do programa de Pós‑Doutoramento em DHI, da CADOS, entre os dias 24 a 27 de fevereiro, em Lisboa, e com a participação de membros do Dicastério para o Desenvolvimento Integral, do Vaticano, tem por tema ‘(Re)Pensar o Desenvolvimento: Práticas, Diálogos e Memórias’, marca o encerramento do terceiro grupo de investigação, e a abertura do programa 2026-2028.

Elizângela Noronha desenvolveu o projeto de investigação ‘envelhecer no e a partir do interior, consumo mediático e auto-perceção do envelhecimento’, depois de ter vivido três anos e meio na Covilhã, onde confrontou-se “com uma realidade de envelhecimento muito evidente”, e com uma população “muito invisibilizada, apesar de ser do território”.

“Comecei a pensar em como é que poderia, de alguma maneira, fornecer algum tipo de contributo para aquela comunidade, entendi que o desenvolvimento humano integral era a melhor janela, sobretudo, a partir de atividades, a partir de uma relação muito próxima com a comunidade”, disse a investigadora, que encerra estes dois anos com um documento (‘policy briefs’) “com algumas recomendações e estratégias”, à Agência ECCLESIA.

Peter Hanenberg recorda que começaram o programa de pós doutoramento em DHI “muito com a preocupação da migração”, devido aos primeiros projetos, mas foram “alargando a perspetiva, e têm “trabalhos muito importantes” também na área da saúde, a saúde mental, da espiritualidade e a saúde, na mudança cultural”.

O padre Tiago Neto vai integrar o Programa de Pós-Doutoramento DHI 2026/2028, e explicou que há uma forma de perceber que os temas que se tocam quando se fala de Desenvolvimento Humano Integral têm também “necessariamente a ver com aquilo que é a questão da pessoa crente, e da sua forma de se relacionar com as instituições, com as dinâmicas próprias da existência”.

O sacerdote do Patriarcado de Lisboa já foi pároco em várias zonas onde há imigrantes, e pretende pensar o modo como a imigração de brasileiros católicos e a sua integração nas comunidades cristãs portuguesas “potencia a própria renovação das comunidades”, porque “não é apenas espectadora, há uma sede e uma vontade de protagonismo bem vincadas”.

O diretor da CADOS da UCP, Peter Hanenberg, acrescentou que com esta conferência final querem “juntar a comunidade dos fellows”, desde o primeiro grupo, abrir o encontro para a comunidade académica, e “convidar e estar com a sociedade civil”, com os parceiros.

CB/PR

 

 

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