Padre Lucas Perozzi diz que ucranianos vivem o dia 24 como «outro dia» e afirma que «o frio é muito difícil

Lisboa, 24 fev 2026 (Ecclesia) – O padre Lucas Perozzi afirma que o dia 24 de fevereiro é vivido pelos ucranianos “como outro dia” qualquer, diz que “o maior problema é o frio” e lamenta que não seja possível uma “paz justa”.
Em declarações à Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, enviadas hoje à Agência ECCLESIA, o sacerdote brasileiro, refere que “já é impossível” que a Rùssia devolva os territórios ocupados.
“O que se fala muito, até entre os católicos, é de haver uma paz justa. Ou seja, o regresso dos territórios tomados. Todos sabemos que isso já é impossível, mas mesmo assim as pessoas não querem acreditar em outra coisa”, afirmou.
O padre Lucas Perozzi pertence ao Caminho Neocatecumenal e está há dois anos em Bila Tserkva, uma cidade com pouco mais de 280 mil habitantes, a cerca de uma centena de quilómetros de Kiev, o suficiente para ser um “seguro de vida” para quem lá reside, uma vez que os ataques não se comparam aos que acontecem noutras partes do território.
No dia em que se cumprem quatro anos de guerra, o sacerdote diz que não se vai falar, de forma generalizada, no aniversário da invasão russa.
“Viveremos o dia 24 como outro dia, apenas”, sublinhou.
Com o rigor do inverno, o sacerdote brasileiro alerta para a falta de eletricidade, por causa dos bombardeamentos, e para a o facto das pessoas viverem em “condições desumanas”.
“Se não há eletricidade, nada funciona… E lá fora a temperatura é muito baixa. Às vezes chegamos aos 15, 18 graus negativos fora de casa. Já chegou, nuns povoados aqui perto, a menos de 30 graus… O frio é muito difícil”, afirmou.
O padre Lucas lembrou os ataques russos consecutivos a centrais termoelétricas, que deixam os habitantes sem aquecimento e sem luz.
“Em Kiev, por exemplo, houve casos em que o frio congelou todos os tubos, todos os canos, e isso tornou os prédios inabitáveis. Essas pessoas já não têm onde morar, porque as suas casas estão inabitáveis”, alertou.
Num contexto de guerra, o sacerdote afirma que as comunidades procuram dar ajudas concretas à população em maior dificuldade, seguindo as orientações da diocese.
“O nosso bispo convocou todos os párocos da região de Kiev e também de outras regiões, para organizarmos aquilo que, traduzido do ucraniano, se chama de ‘pontos indestrutíveis’”, explica o sacerdote, referindo-se a tendas colocados no meio das cidades e onde há geradores que permitem a cada pessoa servir-se de tudo o que faz mais falta, nomeadamente luz e aquecimento.
O padre Lucas Perozzi referiu que, nos “pontos indestrutíveis”, cada pessoa pode ter “água potável para beber, para lavar as mãos, água quente para fazer um chá”, ou mesmo um “fogão para cozinhar”, a possibilidade de carregar os telemóveis ou os “power banks’”.
Nos meses de inverno, e quatro anos após a invasão russa, o padre Lucas refere que é “a própria natureza que está a combater” contra os ucranianos.
Num contexto bombardeamentos sucessivos, o sacerdote brasileiro, que é apoiado pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, refere que, apesar da guerra, os ucranianos “têm a paz dentro deles”, que permite continuar a viver e a afirmar a esperança no fim do conflito armado.
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1256 projetos durante quatro anos de guerra na Ucrânia A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre financiou 1256 projetos na Ucrânia durante os últimos quatro anos de guerra, num total de mais de 30 milhões de euros. Em comunicado enviado à Agência ECCLESIA, a Fundação pontifícia refere que o que tornou possível o apoio à Ucrânia, durante os conflitos, foi “a dedicação incansável dos agentes pastorais na linha da frente e, em segundo plano, a generosidade dos benfeitores da AIS”. Os apoios da Fundação AIS traduziram-se no financiamento de ajuda alimentar aos pobres, aos deslocados e também soldados, no pagamento de despesas de saúde, incluindo lesões potencialmente fatais causadas diretamente pela guerra e também programas de cura de traumas; permitiram comprar geradores e combustível para o seu funcionamento; para comprar veículos para que os agentes pastorais possam chegar às comunidades sob sua responsabilidade. “Acima de tudo, proporcionou esperança e a certeza de que as pessoas que, dia após dia, sofrem esta guerra física e psíquica, não estão sozinhas”, indica o comunicado da Fundação AIS sobre os projetos apoiados na Ucrânia, nos últimos quatro anos. |
PR
Ucrânia: «A intensidade da guerra continua a crescer», afirma embaixador da Santa Sé em Kiev
