«Nós não somos curadores de museus, não queremos unicamente mostrar obras de arte, queremos anunciar a mensagem cristã da maneira que o mundo hoje aprecia» – Padre Mário Tavares

Évora, 16 fev 2026 (Ecclesia) – O coordenador do Projeto ‘Évora Sacra’27 – com vagar e com fé’ explicou que o programa da arquidiocese para a Capital Europeia da Cultura 2027 está em desenvolvimento, com vários contributos, o mês de maio marca uma nova etapa.
“Temos muito trabalho para fazer, mas gostaríamos que maio fosse um novo degrau da apresentação da nossa programação, e iremos ter, não está ainda marcado, mas estará, certamente em setembro, um concerto em parceria com a Associação Cultural Égide, que já esteve connosco em 25, em 26 nos quer propor também esse momento de concerto”, explicou o padre Mário Tavares, em declarações à Agência ECCLESIA.
A Arquidiocese de Évora apresentou o seu Projeto ‘Évora Sacra’27 – com vagar e com fé’, preparado para a Capital Europeia da Cultura 2027, no dia 2 de fevereiro, na igreja do Espirito Santo; um programa que inclui festivais e concertos, como Cante Alentejano religioso, exposições; colóquios e conferências, degustação de doçaria conventual, formação, estadias em conventos.
“Nós não somos curadores de museus, não queremos unicamente mostrar obras de arte, queremos anunciar a mensagem cristã da maneira que o mundo hoje aprecia, porque apreciará também a dimensão do culto, que é essencial, mas aprecia hoje uma linguagem, uma gramática para a qual, se calhar, as novas gerações e a sociedade em geral hoje têm uma apetência, que é a busca do belo, da beleza, que confere, em última análise, um sentido à vida, porque marca uma rota” – diretor do Departamento de Pastoral da Cultura e dos Patrimoniais da Arquidiocese de Évora
Segundo o padre Mário Tavares, “surgiu a oportunidade” da Arquidiocese de Évora estar presente na Feira do Livro 2026, no mês de maio, “em reunião da Câmara”, e destaca o ‘Comboio literário’ que vai partir de Lisboa “com personalidades literárias, agentes culturais diversos”, e na cidade alentejana vão ter “um programa de acolhimento”, com visitas, onde querem incluir “a catedral, por isso, “maio será uma data importante”.
Sobre a Sé eborense, o diretor do Departamento diocesano da Pastoral da Cultura e dos Bens Patrimoniais adiantou que querem aproveitar 2027 “para um trampolim”, e editar “um grande livro sobre a catedral, “uma coisa importante de grande dimensão”, com a coordenação do professor Eduardo Franco, e “uma vasta equipa de pesquisadores que já estão a trabalhar nesse sentido”, e que, “depois, possa provocar eventualmente, um congresso, exposição, etc”.

O coordenador do Projeto ‘Évora Sacra’27 – com vagar e com fé’ explica que querem “privilegiar algumas dimensões que são da excelência”, como a música sacra; a escola de música na catedral, no século XVII e XVIII, “é de grande referência”, querem mostrar esse reportório, “música que hoje já não se canta, não se toca”, e já têm concertos agendados com a ‘Eborae Mvsica’ – a Associação cultural Musical de Évora.
A Arquidiocese de Évora já convidou também o Coro do Carmo, da Diocese de Beja, “um dos ícones mais salientes” do Cante Alentejano religioso, que se cantava também na Igreja, para apresentar este património cultural imaterial.
Na pintura, “Évora é muito rica”, o século XVII foi “de ouro da cidade”, mas querem também “recuperar uma memória de um grande pintor que foi monge Cartuxo”, um autor contemporâneo que “morreu há poucos anos”, e “muito do seu acervo foi confiado à diocese”, para além uma coleção de quadros “dos ermitas, que são os campeões do vagar, deixam tudo para estar na contemplação plena com Deus”, e ainda “uma coleção de telas que eram da Cartuxa” que estão na Paróquia Santa Cruz do Castelo, de Lisboa.
Duas conservadoras-restauradoras “da arte da pintura e da estatuária” vão estar a trabalhar “ao vivo”, na igreja de Santa Clara, “que não está habitualmente ao culto”, para os visitantes perceberem “como é que se restaura uma imagem, uma pintura, que técnicas, até com uma preocupação pedagógica”.
Para o padre Mário Tavares, a doçaria conventual “é um item muito interessante, porque adoça a boca, e é um património muito interessante”, Évora, e “o Alentejo em geral”, tinha uma “grande riqueza” em conventos, que foram fechados com a expulsão das ordens religiosas, “mas ficou uma memória e vários registros”.
“Neste momento, o Convento do Calvário tem uma linda comunidade residente, bastante jovem, muito dinâmica, e estamos a dar passos para transformar o espaço, onde, por exemplo, teve origem um doce magnífico, o pão de rala, como um lugar que se pode visitar, e degustar os doces conventuais; também temos esse projeto para a Cartuxa, que tem uma comunidade residente de vida contemplativa, e que também vai providenciar uma hospedaria para alguns lugares onde quem quiser pode passar um tempo, uns dias, um fim-de-semana”, exemplificou.

‘Crescer com arte e com alma’ é destinado aos mais pequenos, porque “Évora tem um património de excelência”, mas as pessoas “ainda são mais interessantes”, por isso, querem dar “uma atenção muito grande às pessoas, nomeadamente às crianças, adolescentes e jovens”, envolver os Secretariados diocesanos da Juventude, Adolescência e Infância, e ainda acolher uma Jornada do Episcopado, “o arcebispo já abraçou a ideia com entusiasmo”.
O padre Mário Tavares destaca que englobaram também na programação o Festival Internacional de Órgão de Évora, que acontece “há dois ou três anos”, e lembra que têm “promovido o restauro de uma série de órgãos na cidade”, nas igrejas de São Francisco, do Espírito Santo, e na catedral, que “tem um órgão que é um ícone do século XVI, uma raridade,”.
“Ao chegar a Évora 27, gostaríamos que o nosso programa esteja robusto, com as exposições que estão previstas, com os concertos, com as parcerias, e inclusivamente uma série de pessoas que já nos procuram, agora à medida que vamos mostrando o rosto, para as suas parcerias, as propostas, e algumas já estamos a integrar, porque têm muito a ver connosco, e queremos caminhar juntos para promover a cidade”, salientou o padre Mário Tavares.
Para o futuro, o coordenador do Projeto ‘Évora Sacra – com Vagar e com Fé 2027’ salienta que gostariam de “melhorar a oferta cultural” que têm para as pessoas “sempre com a preocupação de olhar a arte, o património, a via da beleza”, como territórios de anúncio da mensagem cristã, como mostram “essa proposta da mensagem do Evangelho, que no fundo é o grande objetivo e a grande missão”.
CB/OC
