Fátima: Patriarca de Lisboa elogiou solidariedade gerada pela tempestade

D. Rui Valério desafiou religiosos a ser sinal de esperança no meio da fragilidade

Foto: Patriarcado de Lisboa

Fátima, 15 fev 2026 (Ecclesia) – O patriarca de Lisboa disse hoje em Fátima que a recente tempestade que assolou o país gerou uma onda de solidariedade, desafiando os religiosos a serem “sinal” de esperança no meio da fragilidade.

“Paradoxalmente, vemos surgir algo que nenhuma tempestade consegue produzir por si mesma: proximidade e solidariedade. Dos escombros emergiu solidariedade. Dos cortes de energia nasceu luz de fraternidade. Ninguém ficou indiferente; ninguém permaneceu de fora”, declarou D. Rui Valério na homilia da Missa do 41.º Encontro Nacional da Vida Consagrada, a que presidiu na Basílica da Santíssima Trindade.

Perante os participantes no encontro, o responsável sublinhou que os fenómenos naturais extremos revelam que a “força maior não está no controlo, mas na comunhão”.

“A tempestade, na sua crueza, serviu de moldura para a beleza da caridade. Para nós, isto é um sinal: a nossa vida não é uma fuga do mundo ferido, mas uma imersão nele com os recursos do Céu”, apontou, numa intervenção enviada à Agência ECCLESIA.

O patriarca de Lisboa distinguiu o papel da técnica, que “repara” e “reconstrói paredes”, da missão da graça divina, que “restaura” e “reconstrói corações”.

“Perante casas devastadas, campos destruídos, comunidades feridas, sentimos, como consagrados, que só os ativos da Graça divina podem resgatar a depressão que as adversidades naturais geram”, sustentou.

D. Rui Valério definiu os consagrados como um “eco da eternidade no tempo”, cujos votos de pobreza, castidade e obediência não são “estratégias de eficiência histórica”, mas configurações ao Reino de Deus.

“A vida consagrada não é assistência social espiritualizada; é profecia de eternidade”, advertiu, pedindo aos religiosos que não se limitem a “analisar sociologicamente a realidade”, mas que se deixem mover pela compaixão.

A homilia destacou a necessidade de “construir, no meio da história, estruturas de graça”, rejeitando uma visão de “filantropia religiosa” para a missão da Igreja.

“Não fomos chamados para conservar estruturas efémeras, mas para construir as estruturas da salvação”, afirmou o presidente da celebração.

O encontro nacional, subordinado ao tema ‘A vida consagrada à luz do programa de Jesus de Nazaré’, reúne membros de institutos religiosos e seculares no Santuário de Fátima.

“Num tempo que exalta o poder, sois sinal de dependência amorosa. Num tempo que idolatra a técnica, sois testemunhas da primazia do Espírito. Num tempo que teme a fragilidade, sois profetas de uma força que nasce da entrega”, concluiu D. Rui Valério.

OC

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