Setúbal: D. Américo Aguiar destina Renúncia Quaresmal a vítimas de «calamidade» que atingiu a região

Cardeal pede «jejum de palavras» na preparação para a Páscoa

Foto: Lusa

Setúbal, 15 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo de Setúbal anunciou hoje que a Renúncia Quaresmal deste ano será integralmente destinada ao apoio das famílias e pessoas afetadas pela “situação de calamidade” que atinge a região, respondendo a danos em habitações e empregos.

“A calamidade que tem atingido tantos dos nossos concidadãos, nas suas casas, nos seus trabalhos, na sua saúde, nas suas esperanças, não nos pode deixar indiferentes”, escreve D. Américo Aguiar, na sua mensagem para a Quaresma de 2026, que se inicia esta quarta-feira.

O cardeal português sublinha que se trata de apoiar “rostos concretos, famílias concretas, histórias concretas que pedem proximidade, solidariedade e compromisso”.

A verba recolhida será encaminhada através das estruturas sociocaritativas da diocese sadina, procurando que a partilha chegue “de forma justa, próxima e transformadora àqueles que mais necessitam”.

“Como Igreja diocesana, queremos estar onde a dor se faz mais sentir. Queremos ser presença que consola, mão que levanta, comunidade que não abandona”, indica o responsável sadino.

Na mensagem, intitulada com a saudação “fraternas a todos, todos, todos”, D. Américo Aguiar sintoniza a sua reflexão com o recente apelo do Papa Leão XIV, convidando os diocesanos a uma “abstinência de palavras que atingem e ferem o próximo”.

“Somos desafiados a desarmar a linguagem, renunciando às palavras mordazes, ao juízo temerário, ao falar mal de quem está ausente e não se pode defender, às calúnias que dividem e envenenam as relações”, pode ler-se no texto, enviado à Agência ECCLESIA.

O bispo de Setúbal exorta os católicos a cultivar a gentileza na família, no trabalho, nas redes sociais e nos debates públicos, transformando o discurso de ódio em “palavras de esperança, de reconciliação e de paz”.

O documento foi divulgado durante a visita pastoral que o cardeal está a realizar às paróquias da Costa da Caparica e da Trafaria, no concelho de Almada.

“No contacto direto com as comunidades, com os seus padres, agentes pastorais e fiéis, levo comigo as alegrias, as preocupações e as esperanças de todo o nosso povo”, partilha D. Américo Aguiar.

O responsável diocesano recorda os três pilares da vivência quaresmal – oração, jejum e esmola -, apresentando a oração como o “respirar da alma” num mundo marcado pela pressa e o jejum como uma via para libertar o coração do egoísmo.

“Renunciar, na Quaresma, não é perder, é multiplicar. Aquilo de que abdicamos torna-se esperança para alguém”, sustenta.

A mensagem convida as comunidades a viverem este tempo litúrgico, que se inicia na Quarta-feira de Cinzas, como um caminho comunitário e de “criatividade pastoral”.

“Não façamos da Quaresma um tempo triste, mas um tempo verdadeiro. A conversão cristã não nasce do medo, mas do amor que se deixa transformar”, conclui D. Américo Aguiar.

OC

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