Diretor-executivo da organização católica diz que recuperação vai precisar de tempo e de recursos financeiros significativos

Évora, 15 fev 2026 (Ecclesia) – O diretor executivo da Cáritas Arquidiocesana de Évora afirmou que, apesar da vastidão do território afetado pelo mau tempo, existe uma “cobertura eficaz” de apoio às populações, destacando a proximidade das equipas técnicas.
“Há uma proximidade das equipas técnicas com as populações. Nós conhecemos, quase caso a caso, as situações”, referiu João Cachaço, em entrevista conjunta à Renascença e à Agência ECCLESIA, publicada e emitida este domingo.
O responsável reconheceu que, devido à geografia do Alentejo, é “normal” que exista algum distanciamento físico das sedes de concelho, mas valorizou a “boa resposta” que as autarquias têm dado no terreno.
O foco das preocupações continua a ser Alcácer do Sal, onde o diretor-executivo da Cáritas descreveu um cenário impressionante após uma visita ao local, na última semana.
“Estivemos esta semana em Alcácer e o que sentimos foi muito estranho: as ruas estão cortadas, há um silêncio, um silêncio na cidade”, relatou, notando que as entidades estão a trabalhar para “articular-se” na resposta.
Nesta fase, a autarquia local pediu “tempo” para avaliar a totalidade dos estragos, uma vez que muitas pessoas ainda estão a contabilizar os prejuízos.
Para a Cáritas de Évora, a prioridade futura passa pela reposição do recheio das habitações e bens essenciais.
“É preciso fazer um elenco de tudo o que será necessário depois adquirir e ajudar a suprir estas necessidades. O que fará falta no futuro será depois apoio a equipamentos, seja eletrodomésticos, camas, colchões, mobílias”, indicou João Cachaço.
A instituição católica está a realizar uma angariação de fundos para responder a estas carências, mantendo a incerteza sobre se o valor recolhido será “suficiente”.
Além de Alcácer, a Cáritas acompanha ocorrências em Borba, Vila Viçosa e Coruche, assumindo-se como um fator “agregador” da solidariedade.
“Vai levar tempo e vai requerer algum trabalho de articulação. Queremos estar com quem está no terreno a fazer o melhor para as populações”, concluiu.
Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)
