«Aqui fragilidade deixa de ser teoria e ganha rosto, nome, história», salientou D. Sérgio Dinis, que através da Palavra de Deus ajudou «a olhar este lugar com fé»

Porto, 12 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo das Forças Armadas e de Segurança de Portugal afirmou que “compaixão” é “uma decisão, um estilo de vida”, na homilia do Dia Mundial do Doente, esta quarta-feira, no Polo do Porto do Hospital das Forças Armadas (HFAR).
“A compaixão não é um sentimento vago. É uma decisão. É um estilo de vida. É amor que se faz próximo e que aceita carregar a dor do outro. Amar, diz o Papa, não é apenas ajudar. É dar-se a si mesmo. É oferecer tempo, atenção, presença”, disse D. Sérgio Dinis, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
O Dia Mundial do Doente 2026 teve como tema ‘A compaixão do Samaritano – Amar carregando a dor do outro’, título da primeira mensagem do Papa Leão XIV para esta celebração, a 34ª edição.
O bispo das Forças Armadas e de Segurança de Portugal, dirigindo-se aos profissionais de saúde, cuidadores, agentes pastorais, voluntários, e trabalhadores do HFAR afirmou que o seu trabalho “é profundamente humano, mas é também profundamente cristão”, e mesmo quando não se fala de Deus, “Deus está presente”.
“Cada vez que cuidais de um doente, estais a tocar a carne ferida de Cristo. Cada gesto de competência, cada palavra serena, cada silêncio respeitoso, cada paciência renovada é um ato de amor que sobe até Deus.”
D. Sérgio Dinis destacou que “muitos doentes” no Polo do Porto do Hospital das Forças Armadas são militares, guardas, homens e mulheres “habituados a proteger os outros”, mas, ali, “precisam de ser protegidos”: “E vós sois, muitas vezes, o rosto dessa proteção. Uma proteção que mais importante do que ficar gravada nas estatística é ficar gravada no coração.”
O bispo do Ordinariato Castrense explica que a Palavra de Deus ajuda-os “a olhar” para o hospital “com fé”, e a partir da primeira leitura da liturgia, afirmou que Hospital das Forças Armadas “existe uma sabedoria que não se aprende apenas nos livros”.
“É a sabedoria do cuidado. É a ciência unida à humanidade. É o saber técnico aliado à atenção, ao tempo dado, à presença fiel”, indicou.
No Evangelho, acrescentou o bispo castrense, Jesus leva-os “ainda mais fundo”, com a parábola do bom samaritano que “não é apenas uma história bonita”, mas um critério de vida.
“Aqui, irmãos e irmãs, está descrita, com impressionante atualidade, a missão de quem cuida dos doentes. Ver. Não passar ao lado. Parar. Aproximar-se. Tocar a ferida. Assumir responsabilidades. Trabalhar em equipa. O samaritano não faz tudo sozinho: confia o ferido ao estalajadeiro. A compaixão torna-se missão partilhada”, desenvolveu.
O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal começou a sua homilia a explicar que no Dia Mundial do Doente, a Igreja faz memória de Nossa Senhora de Lourdes e “entra, com delicadeza, num lugar sagrado”, que é “o lugar da dor humana”.
“Estamos num hospital. Aqui a vida é tocada no seu limite. Aqui a fragilidade deixa de ser teoria e ganha rosto, nome, história”, realçou D. Sérgio Dinis na homilia da celebração concelebrada pelo capelão do HFAR-Porto, padre Benjamim Silva, e pelo padre Luís Morouço, capelão-adjunto para o Exército
“Que nunca falte neste hospital o espírito do bom samaritano: um coração atento, mãos disponíveis e um amor que não passa ao largo.”
A Igreja Católica celebra anualmente o Dia Mundial do Doente, a 11 de fevereiro, na memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes, uma data que foi instituída pelo Papa São João Paulo II, a 11 de fevereiro de 1992.
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