Leão XIV alertou para a fragilidade da ONU e condenou a violação do direito humanitário

Cidade do Vaticano, 09 jan 2026 (Ecclesia) –Leão XIV alertou hoje para a crise do sistema multilateral e das Nações Unidas, denunciando a substituição da diplomacia do diálogo por uma “diplomacia da força”, com apelos específicos sobre a situação na Venezuela.
“Renovo o apelo ao respeito pela vontade do povo venezuelano e ao empenho na defesa dos direitos humanos e civis de todos e na construção de um futuro de estabilidade e concórdia”, declarou o Papa, propondo como inspiração o exemplo dos santos venezuelanos José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles, canonizados em outubro de 2025.
Perante os embaixadores de mais de 180 Estados, incluindo Portugal, reunidos no Vaticano para a troca de votos de Ano Novo, o pontífice abordou crise no país sul-americano, “na sequência dos recentes acontecimentos”, após a intervenção dos EUA.
Leão XVI sublinhou a necessidade de “construir uma sociedade baseada na justiça, na verdade, na liberdade e na fraternidade, e assim superar a grave crise que há muitos anos aflige o país”.
O aumento das tensões no Mar das Caraíbas e ao longo da costa americana do Pacífico também suscita grande preocupação. Gostaria de renovar o meu urgente apelo para que se procurem soluções políticas pacíficas à atual situação, tendo em mente o bem comum das populações e não a defesa de interesses de parte.”
O discurso alertou para a “fragilidade do multilateralismo no plano internacional”.
“Uma diplomacia que promove o diálogo e procura o consenso de todos está a ser substituída por uma diplomacia da força, de indivíduos ou de grupos de aliados”, lamentou o pontífice.
No ano em que a ONU celebra o seu 80.º aniversário, o Papa pediu esforços para que as Nações Unidas “não só espelhem a situação do mundo atual – e não a do pós-guerra –, mas também sejam mais orientadas e eficientes na prossecução não de ideologias, mas de políticas que visem a unidade da família dos povos”.
“A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico está a alastrar. Foi quebrado o princípio, estabelecido após a II Guerra Mundial, que proibia os países de recorrerem à força para violar fronteiras alheias”, advertiu.
Leão XIV denunciou a violação sistemática do direito internacional humanitário, sublinhando que o seu respeito “não pode depender das circunstâncias e dos interesses militares e estratégicos”.
“Não se pode silenciar que a destruição de hospitais, infraestruturas energéticas, habitações e locais essenciais à vida quotidiana constitui uma grave violação do direito internacional humanitário. A Santa Sé reitera com firmeza a sua condenação de qualquer forma de envolvimento de civis em operações militares”, afirmou.
O Papa desejou que o multilateralismo recupere o seu papel de mediação para “prevenir conflitos, de modo que ninguém seja tentado a sobrepor-se ao outro pela lógica da força, seja ela verbal, física ou militar”.
A intervenção abordou ainda o significado da missão diplomática, que passa por “resolver conflitos através da força da razão e de uma determinação constante em trabalhar pelo bem comum”.
OC
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