As celebrações dos 1700 anos do Martírio de São Vicente, principal padroeiro do Patriarcado de Lisboa, já estão a mexer com a diocese, disposta a colocar em andamento uma série de iniciativas que aproximem a cidade do mesmo. Uma exposição comemorativa abrirá ao público a partir do dia 22 de Janeiro, memória litúrgica deste Santo. Isabel Alçada Cardoso, do Centro Cultural de Lisboa Pedro Hispano, referiu à Agência ECCLESIA que o público alvo da iniciativa se encontra para além do “mundo cultural”. A instituição encarregada do programa de celebrações pretende “chegar a um número mais alargado de pessoas, aos devotos, aos lisboetas, às escolas, aos portugueses em geral que queiram ver a relação deste Santo com a sua cidade”. “Esta é uma figura que, de tempos a tempos, é redescoberta: é um Santo que personaliza a nossa ligação ao Mediterrâneo e ao Atlântico, que foi venerado por D. Afonso Henriques e pela comunidade Moçárabe, que está presente no Mosteiro dos Jerónimos e na Torre de Belém”, revela. Perto de uma centena de peças e painéis ilustrativos irão ocupar todos os espaços principais da Sé de Lisboa – claustro, deambulatório e sala simétrica à sala do Tesouro -, onde serão acompanhados por um catálogo, uma obra de divulgação e um livro para crianças sobre São Vicente. A inauguração oficial do evento acontecerá a 22 de Fevereiro. Organizada com poucos recursos humanos e financeiros, a exposição contou com a disponibilidade dos museus de Arte Antiga, de Numismática, da Cidades e de Óbidos, além da Torre do Tombo. “Partimos de uma exposição acontecida em 1973, por ocasião do centenário da trasladação das relíquias do Santo, e a abertura de todas as entidades que contactámos tem ajudado a que este projecto venha a ser uma realidade”, explica Isabel Alçada Cardoso. O programa celebrativo, coordenado pelo Cabido da Sé Patriarcal, inclui uma emissão filatélica em parceria com os CTT, uma medalha comemorativa, um conjunto de conferências e um colóquio em parceria com o Centro de Estudos Religiosos da UCP e a representação do Auto de São Vicente, de Afonso Álvares. Ainda em Lisboa um museu digital com cerca de duas mil peças de arte sacra das igrejas da diocese deverá estar acessível na Internet até Abril, segundo indicações recentes do Departamento de Bens Culturais do Patriarcado. De acordo com o cónego Armando Duarte, director do departamento, a intenção do Patriarcado de Lisboa é “divulgar junto do público os tesouros que estão na posse da Igreja” e que consistem fundamentalmente em peças de arte sacra, “representativa de grande parte da riqueza artística do país”.
