Ciência pelo homem

João Paulo II tornou a defender que a pesquisa científica “deve evitar qualquer tentação de manipulação do homem”, admitindo, no entanto, os benefícios da ciência no domínio médico e no tratamento dos doentes. “Renovo um forte apelo para que a pesquisa científica e biomédica, evitando toda a tentação de manipulação do homem, se dedique ao compromisso de explorar caminhos e recursos que apoiem a vida humana, o tratamento de doenças e a solução de problemas ainda novos no domínio biomédico”, disse o Papa ao receber os participantes da IX Assembleia Geral da Academia Pontifícia para a Vida, no passado dia 24 de Fevereiro. Aos 160 membros da Academia, o Papa lembrou que a Academia Pontifícia para a Vida tem a missão de “estudar, formar e informar sobre os principais problemas de biomedicina e de direito, relativos à promoção e à defesa da vida, principalmente na relação directa que têm com a moral cristã e as directrizes do magistério da Igreja”. João Paulo II destacou os grandes progressos da pesquisa científica e da medicina, em particular na derrota das epidemias, e nas melhores curas para as doenças e por conseguinte “melhorando notavelmente, em grandes sectores do mundo desenvolvido, a duração e a qualidade de vida”. A Igreja, segundo o Papa, respeita e apoia a investigação científica quando “persegue uma orientação autenticamente humanista, fugindo de qualquer instrumentalização ou destruição do ser humano e mantendo-se livre da escravidão dos interesses políticos ou económicos”. João Paulo II concluiu o seu discurso recordando “a urgência de preencher a gravíssima e inaceitável brecha que separa o mundo em vias de desenvolvimento do mundo desenvolvido, na capacidade de realizar pesquisa biomédica, em benefício da assistência sanitária e na ajuda dos povos afligidos pela miséria e por epidemias desastrosas como a SIDA”.

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