Começaram hoje em Fátima as Jornadas da Comunicação Social organizadas pelo Secretariado Nacional das Comunicações Sociais da Igreja Católica, com o objectivo de proporcionar aos jornalistas católicos uma reflexão sobre “As religiões e a paz”. O presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, D. João Alves, destacou na abertura da iniciativa, que “nem sempre a imprensa de inspiração cristã serve suficientemente a paz, não só a paz política, mas aquela de que cada pessoa necessita”. Na primeira conferência da tarde o Director da Faculdade de Teologia da UCP, Pe. Peter Stilwell, convidou os jornalistas a conhecerem melhor as tradições religiosas e a “perceber como cada tradição lidou com a conflitualidade latente no coração da pessoa”. Segundo este especialista no diálogo inter-religioso “há traços de violência e dureza nos textos sagrados, porque as religiões têm a ver com o ser humano, reflectem a violência da cidade”. A Comunicação Social, referiu, tende hoje a ler o Islamismo a partir de figuras como Bem Laden ou o Judaísmo a partir de Ariel Sharon, esquecendo as correntes ligadas à grande tradição e não fundamentalistas. “Há três grandes motivos que levam as pessoas a recorrer à religião para justificar a violência: a perda da identidade, medo e a incapacidade de gerir tensões internas ou externas”, explicou. Para servir esta necessidade de conhecer as tradições religiosas a UCP irá organizar um curso intitulado “Os Media e as Religiões”, a começar em Novembro. As jornadas concluem-se amanhã com uma intervenção do Pe. João Aguiar sobre “A paz e a violência nos media portugueses”.
