A Santa Sé prestou ontem homenagem aos “mártires” da Guarda suíça, numa missa em sufrágio pelos membros do corpo militar do Vaticano. Na cerimónia, o Arcebispo John P. Foley assinalou aos “Guardas do Papa” que o seu serviço quotidiano levou-os a ter “mártires entre vós”.
O membro da Cúria Romana, presidente do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, lembrou que “21 anos depois de a Guarda Suíça ter entrado ao serviço do Santo Padre, 147 de vós morreram enquanto defendiam o Pontífice das tropas do Imperador Carlos V”. “Embora não sejam venerados como mártires, já que como soldados deviam opor resistência à morte, em certo sentido podemos considerá-los mártires, porque deram a vida para defender o Sucessor de Pedro”, defendeu.
Em 2006 a Guarda Suíça, o mais pequeno exército do mundo, comemora o seu 500º aniversário. O Arcebispo norte-americano sublinhou ainda a importância destas figuras características do Vaticano, uma referência para peregrinos ou meros turistas. “Todos os dias, nas portas do Vaticano, encontram centenas de pessoas de todas as religiões ou de nenhuma religião. Embora haja muitos sacerdotes, religiosas e religiosos que trabalham no Vaticano, quem passa por aqui não os vê, mas vê os Guardas”, frisou. “Para eles, vós representais o Papa, representais o Sucessor de Pedro, de facto, representais Jesus”, disse o prelado.
Encarregados da segurança do Papa e da vigilância da Cidade do Vaticano, os Guardas suíços destacam-se pelo seu traje de gala, que remonta aos tempos de Michelangelo. D. Foley exortou os Guardas a “considerar o vosso trabalho não só como um dever, como de facto o é, mas também como uma oportunidade para reflectir a alegria e o amor de Jesus Cristo em cada resposta, em cada palavra, em cada gesto”. A Guarda Suíça Pontifícia, fundada pelo Papa Júlio II em 1506, é uma companhia de voluntários, recrutados em todas as partes da Suíça, organizados militarmente, para a custódia da pessoa do Papa e da sua residência.
Outras tarefas são também a vigilância dos ingressos na Cidade do Vaticano, assim como serviços de segurança e de honra durante as funções religiosas e diplomáticas do Santo Padre. Uma representação da Guarda Suíça acompanha o Papa nas suas viagens ao exterior. O corpo é formado por 110 guardas e compreende 4 oficiais (coronel, tenente coronel, major e capitão), 1 capelão, 26 suboficiais e 79 soldados.
O serviço dura dois anos, com possibilidade de renovação e promoção, até um máximo de 20 anos de serviço. Para fazer parte da Guarda Suíça é preciso ser católico, nascido nesse país, com uma altura superior a 1,74 metros e ter frequentado a recruta no exército suíço. Os soldados deverão ter até 30 anos e ser solteiros, sendo possível casarem-se depois de subirem de patente.
Todos, sem excepção, vivem no Vaticano. O juramento dos novos recrutas é prestado, todos os anos, no dia 6 de Maio, numa cerimónia solene que assinala o aniversário do saque de Roma pelas tropas do imperador Carlos V, em 1527. O Papa Clemente VI salvou-se da ofensiva ao refugiar-se no castelo de Sant’Angelo, mas 147 Guardas perderam a vida ao defendê-lo.
