Afirmou o Pe. António Sousa que esteve cerca de quatro décadas na condução da Cáritas de Coimbra. “Procurei aplicar o papel da acção sócio-caritativa da Igreja”. Foi assim que o Pe. António Sousa, ex-presidente da Cáritas diocesana de Coimbra, resumiu o seu trabalho de quase quatro décadas (39 anos) naquele organismo. Em declarações à Agência ECCLESIA este sacerdote percebeu, desde o início, que “a Cáritas poderia ter uma acção na preparação de grupos paroquiais que assumissem esta dimensão da Igreja”. Durante os anos que assumiu os destinos daquele organismo diocesano (deixou o cargo no final do ano transacto), o Pe. António Sousa “correu quase todas as paróquias” das terras do Mondego para “explicar a importância desta dimensão da Igreja”. “Procurei que a Igreja não ficasse apenas nos actos de culto, evangelização e catequese” mas que “tenha também uma expressão social” – sublinhou. A expressão social da Igreja deve “partir da Eucaristia”, este sacramento fica “amputado se não tiver uma dimensão com os irmãos que estão fora do templo (na sua vida e com os seus problemas) – admitiu o ex-presidente da Cáritas de Coimbra. E lamenta: “a ajuda não pode existir somente quando há um fogo ou uma enchente”. A vertente da formação comunitária não foi esquecida pela Cáritas de Coimbra. A alfabetização e educação de adultos; educação para a saúde; alcoolismo; apoio aos idosos e doentes e o trabalho comunitário com adolescentes e jovens foram apostas conseguidas. “Foi com o intuito de libertar as pessoas das suas carências e «ensiná-los a pescar»” – declarou Pe. António Sousa. Com a construção do Centro de Formação Profissional do Artesanato (CEARTE) – criado em 1986 – foi ministrada “imensa formação e emprego a milhares de pessoas”. É a linha da “libertação da carência” para que conseguissem resolver “os seus problemas” Nas zonas mais carenciadas da diocese (Pampilhosa da Serra, Arganil, Oliveira do Hospital e Góis) “procurámos ser a voz dos que não tinham voz”. Trabalhos formativos que “ajudaram imenso aquelas populações” – reconheceu. Passados 40 anos, o Pe. António Sousa vê um novo rosto na diocese mas – admite – “nunca se faz tudo”. Canalizou-se o esforço na “ajuda imediata e também na linha da prevenção”. Quando olha para a sociedade actual, o antigo presidente da Cáritas de Coimbra refere que as pessoas “não têm tanta disponibilidade para ajudar”. E constata: “as comunidades estão desfalcadas e empobrecidas de pessoas”.
