Arcebispo da Beira pede política africana para África

O Arcebispo moçambicano Jaime Pedro Gonçalves defende que é aos africanos que compete assumir o seu futuro e saúda as conclusões da última cimeira da União Africana. “Não são os europeus ou os americanos a indicar-nos qual deve ser o nosso caminho, mas somos nós africanos a estabelecer qual deve ser o melhor percurso. A ajuda externa é certamente indispensável, ainda, mas somente para a manutenção dos projectos nascidos na África, não para impor medidas que podem ser válidas para outros, mas nocivas para o nosso continente”, referiu. O Arcebispo de Beira falava à agência Fides, comentando a cimeira dos Chefes de Estado dos países membros da União Africana, decorrida de 10 a 12 de Julho em Maputo. “Os líderes africanos decidiram dar impulso ao Nepad (New Partnership for Africa Development), o programa para o desenvolvimento económico do continente promovido pela África do Sul, Nigéria, Senegal, Argélia e Egipto, e de iniciar o estudo de uma série de projectos para resolver os graves problemas económicos do continente”, acrescentou. “É preciso porém estar atentos para que o Nepad não venha a ser desvirtuado – adverte D. Gonçalves – porque tem como objectivo uma maior colaboração entre as economias africanas e os países mais desenvolvidos; o risco é que se venha a privilegiar sobretudo os interesses comerciais destes últimos”. O Arcebispo da Beira pede à comunidade internacional que ajude o esforço da União Africana. Por este motivo, confessa a perplexidade por George W. Bush não ter incluído Maputo no percurso de sua recente viagem à África. “Na capital de Moçambique ele poderia encontrar a maior parte dos líderes africanos e afirmar assim, diante a uma vasta plateia, o empenho dos Estados Unidos em favor da África”, afirmou.

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