Convicção do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa A jornada mundial da juventude, que está a decorrer em Colónia, na Alemanha, é considerada pelo Arcebispo de Braga como um exemplo de fidelidade à vocação da Igreja. Nem mesmo a morte de João Paulo II – considerado por muitos como o Papa dos jovens – fez esmorecer a vontade de milhares de jovens do mundo inteiro que dedicam estes dias à oração e à sua afirmação como Igreja. Estas foram algumas das ideias mais sublinhadas por D. Jorge Ortiga na homilia da missa das festas de Nossa Senhora da Assunção – Padroeira dos Pescadores – que ontem presidiu na igreja da Lapa, na Póvoa de Varzim. «Com a morte de João Paulo II muitos disseram que os jovens já não iriam a Colónia mas eles responderam afirmativamente e estão lá perto de um milhão», destacou D. Jorge Ortiga, presidente da Conferência Episcopal POrtuguesa. Para o prelado, esta presença massiva na Alemanha «é uma lição que os jovens dão à Igreja e aos cristãos» de que quem quer que esteja a dirigir os seus destinos merece ser considerado o sucessor de S. Pedro, o representante de Cristo na terra. Segundo o Arcebispo de Braga, «o estatuto do cristão é, sobretudo, ser diferente, não seguindo os caminhos da moda, mas antes modelar a sua vida de acordo com o Evangelho». Perante uma igreja que se tornou muito pequena para as centenas de pessoas que queriam participar na eucaristia, o prelado avisou que «o mundo de hoje tem muitos apelos ao mediatismo e ao prazer imediato» e que, face a este panorama, o cristão deve pautar a sua vida pessoal numa ligação estreita à mensagem do Evangelho. D. Jorge Ortiga exortou os cristãos para que não esquecessem a sua condição de «peregrinos». «Não há duas pessoas iguais no mundo, nem mesmo os gémeos, e Deus espera de cada um o compromisso pessoal e concreto», referiu na homilia o prelado bracarense. Presente pela primeira vez como Arcebispo de Braga naquela festa que mobiliza a comunidade piscatória da Póvoa de Varzim, D. Jorge Ortiga disse esperar que cada cristão «seja fiel à sua vocação». A propósito deste tema, o responsável pastoral da arquidiocese lembrou o facto da mesma estar a viver um ano dedicado ao plano vocacional. «A vocação não é privilégio de alguns; ela é o destino de todos no caminho da santidade a que Deus chama todos e cada um de nós», sublinhou o arcebispo. Apontando que o caminho vocacional «tem várias vias», D. Jorge Ortiga exortou para que cada um dos cristãos «deva escolher o caminho que mais se adeque com a resposta que tem de dar a Deus». Para uma resposta efectiva é necessário «coragem e força de vontade», destacou o prelado, acrescentando que os cristãos não estão sozinhos nessa caminhada e que têm do grandioso exemplo de Nossa Senhora da Assunção, cuja festividade se celebrou ontem, por todo o país. D. Jorge Ortiga aconselhou os fiéis a interrogarem- se sobre se estão ou não a ser fiéis ao projecto traçado por Deus e se estão ou não a esquecerem-se da sua obrigação. Para uma melhor e mais cabal resposta aos desígnios de Deus, o Arcebispo de Braga sustenta que cada um dos baptizados deveria ser como que uma «pequena Maria, na resposta de fidelidade a Deus». Para aqueles que desesperam e se consideram abandonados nas encruzilhadas da vida, o prelado lembrou que «nenhum cristão está sozinho, nem é um caminhante solitário», mas encontra suporte e companhia na comunidade eclesial. «Caminhamos juntos em Igreja, porque o cristianismo é uma religião comunitária », sustentou o Arcebispo de Braga. Uma das marcas da homilia que D. Jorge Ortiga mais deixou vincadas foi o apelo «à imperiosa diferença da vida do cristão», em contraponto com aquela que denominou de «vida de modas» da sociedade actual. «É imperioso que o cristão tenha uma vida diferente e marque, por si mesmo, uma marca de diferença não esquecendo nunca que é membro da Igreja», disse o prelado bracarense. Na Igreja, tal como existe o exemplo de fidelidade de Nossa Senhora, D. Jorge Ortiga apontou existir também o exemplo dos ministros que Cristo deixou à frente da sua família de crentes. Por isso mesmo, o Arcebispo de Braga apelou à oração pelas intenções do Santo Padre e dos milhares de jovens que estão reunidos em Colónia. Em remate, D. Jorge Ortiga aproveitou para alertar os presentes da dificuldade que existe hoje em seguir as orientações da Igreja. «A Igreja não se pode adaptar às modas porque tem de ser fiel à sua missão », alertou D. Jorge Ortiga, acrescentando que, por isso mesmo, «nunca poderá aceitar as doutrinas do aborto e da eutanásia», uma vez que defende que «a vida não é nossa; mas pertence ao Criador».
