Padre Paulo Henrique Machado era conhecido pelo seu compromisso social e pela defesa das vítimas da violência policial O Cardeal Eusébio Scheid, responsável pela Província Eclesiástica do Rio de Janeiro, mostrou-se chocado com o “bárbaro assassinato” do Pe. Paulo Henrique Machado, sacerdote de 36 anos conhecido pelo seu compromisso social e pela defesa das vítimas da violência policial. Em telegrama enviado ao Bispo da diocese de Nova Iguaçu, D. Luciano Berganin, o Cardeal Scheid manifestou seu pesar e o de toda a comunidade da Arquidiocese do Rio, declarando ainda o seu “repúdio a tal violência”. O Cardeal pede a Deus que o padre Paulo seja colocado no “rol dos mártires da dádiva integral do seu sangue pelo seu povo, pela Igreja e pelo Senhor Jesus”. O jornal do Vaticano, “L’Osservatore Romano”, lembra o Pe. Machado pelo seu “compromisso no serviço aos mais pobres” em Nova Iguaçu, um dos locais mais violentos da periferia do Rio de Janeiro. Na sua edição de hoje, o periódico lembra que este sacerdote “tinha denunciado muitas vezes os abusos dos traficantes de droga e da polícia sobre a população”. O Pe. Paulo Henrique Machado foi executado na madrugada desta segunda-feira com cinco tiros, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O corpo do pároco foi encontrado próximo ao carro que ele guiava: o sacerdote foi atingido na perna e na cintura, dentro do veículo e, ao tentar fugir, levou outros três tiros, dois nas costas e um no pescoço. A polícia não avançou o motivo do assassinato, mas uma hipótese seria a ligação do crime com a chacina da Baixada Fluminense, do 31 de março. O sacerdote ajudou a fundar o grupo “Reage Baixada”, que presta apoio aos familiares das 29 pessoas mortas na chacina. Uma dezena de polícias está a ser processada por alegado envolvimento neste massacre, o pior ocorrido no Brasil na última década, segundo fontes oficiais. O Bispo de Nova Iguaçu, D. Luciano Bergamin, tinha promovido no passado mês de Abril uma marcha de protesto contra os excessos e a brutalidade da polícia, oferecendo aos familiares das vítimas todo o apoio da Igreja.
