Trinta e nove pessoas foram queimadas vivas numa aldeia do leste da República Democrática do Congo (RDC) por rebeldes ruandeses que, de acordo com testemunhas locais, pretendiam castigá-las pelo apoio dado às forças de manutenção de paz das Nações Unidas que estão na região. “Trinta e nove civis foram queimados vivos depois de terem sido fechados nas suas cabanas, outros sete ficaram feridos”, afirmou Sylvie van den Wildenberg, uma porta-voz da missão das Nações Unidas no Congo, adiantando que o ataque aconteceu no sábado. “A maior parte são mulheres e crianças”, revelou ao telefone à Reuteres, desde a cidade de Bukavu, no leste do país. “Algumas pessoas afirmam que foi uma retaliação por um recente ataque do exército congolês aos rebeldes. A Conferência Episcopal no país já condenou “a violência não justificada e os danos materiais impostos a um povo já tão depauperado”. “Apesar do nosso apelo à pacificação e ao controlo, foram perpetrados massacres, saques, violências e violações”, constatam os prelados. As forças das Nações Unidas, acusadas de não intervirem eficazmente na protecção das populações civis do leste da República Democrática do Congo, intensificaram as suas acções este ano, particularmente depois da morte de nove capacetes azuis do Bangladesh, em Fevereiro. As milícias hutus ruandesas estão activas no leste da RDC há algum tempo, tendo levado já a que tropas do Ruanda tenham entrado por duas vezes na região para neutralizá-las. Para a Conferência Episcopal Congolesa “é reprovável que alguns congoleses se aliem a forças estrangeiras para atentar contra a vida humana e continuar a destruir o país e as suas estruturas sociais”. Há vários dias que a RDC vive momentos de tensão depois de as eleições políticas de 30 de Junho terem sido adiadas. “O adiamento das eleições é um evento doloroso, mas necessário porque não é possível realizar um pleito quando parte do território nacional não está sob controlo das forças legítimas do país”, afirmam à agência Fides, do Vaticano, missionários no país.
