A Conferência Episcopal Boliviana (CEB) aponta o dedo à “pobreza crescente no país” que considera estar na origem do clima de agitação política e que levou o Presidente Carlos Mesa a apresentar um pedido de renúncia ao cargo. “Quando as pessoas têm um emprego e dinheiro no bolso, as greves e manifestações acabam”, afirmou o Secretário-Geral da CEB, D. Jesús Juárez, em entrevista à Ajuda à Igreja que Sofre. O prelado identifica “a pobreza crescente” que grassa na Bolívia, dando o exemplo da sua diocese, El Alto, onde existem 120 mil desempregados numa população de 800 mil habitantes. Citando a última nota pastoral da CEB, D. Jesús Juárez, referiu que a classe política “deverá ter em conta a realidade do país para compreender os problemas que afectam a população”. O Bispo de El Alto acrescentou ainda que “é missão da Igreja verificar que valores estão a ser promovidos, para que não haja confrontação mas antes respeito pela vida e pela justiça”. Xavier Legorreta, responsável pelo Departamento América Latina I, da Ajuda à Igreja que Sofre, recorda que foi sob a égide da Igreja que as partes em conflito conseguiram chegar a um acordo que permitiu a governabilidade da Bolívia. Na terça-feira a CEB divulgou uma nota pastoral apelando a uma “trégua social” entre as forças políticas e sociais na Bolívia. Os bispos bolivianos afirmam no documento que “a situação de desagregação política e social põe em risco a estabilidade democrática e as instituições do país”. “Não podemos prosseguir as atitudes de confronto que nos estão a levar para a beira do abismo”, reclamam os prelados, reiterando a sua confiança no sistema democrático que “é o melhor espaço de convivência fraterna entre bolivianos”. A Bolívia está a viver uma situação de grande instabilidade política que culminou com o inesperado pedido renúncia apresentado ao Congresso, no Domingo, pelo Presidente Carlos Mesa que acusou Evo Morales (Movimento para o Socialismo) e Abel Mamani (presidente da Federação de Freguesias da cidade de El Alto) de tornarem a governação inviável com a convocação de greves e bloqueios. Posteriormente, o Congresso rejeitou por unanimidade o pedido de demissão do Presidente da República e ratificou um pacto nacional entre os grupos parlamentares de todos os partidos, à excepção do Movimento para o Socialismo e do Movimento Indígena Pachakuti, que rejeitaram este acordo. Departamento de Informação da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre Novos protestos A Bolívia irá viver hoje uma nova jornada de protestos como consequência da falta de consenso entre o governo e os sindicatos sobre a controversa “Lei dos Hidrocarburetos”, que ameaça provocar uma grave fractura social. As tentativas de diálogo levadas ontem a cabo entre Carlos Mesa e os líderes sindicalistas e da esquerda boliviana redundaram num fracasso que aponta, agora, para o agravamento da crise que atravessa este país andino. Os habitantes de El Alto exigem nas ruas a interrupção dos contratos com a Companhia Aguas de Illimani, filial da francesa Suez, que responsabilizam pela subida galopante dos preços desse bem primário. Estes problemas sociais, a que se juntam os apelos de Mesa para que a população venha para a rua exigir o fim dos cortes de estradas e as pretensões autonômicas de algumas províncias, podem levar a Bolívia para uma grave divisão social.
