Norma McCorvey, cujo caso permitiu que em 1973 ao Supremo Tribunal aprovasse o aborto a pedido no país, apresentou em Dallas um pedido para que o decreto seja revertido alegando os terríveis danos que o aborto causa às mulheres. McCorvey foi “Jane Roe” no caso Roe vs. Wade, célebre litígio judicial que assentou o precedente para legalizar o aborto por qualquer motivo no país. A mulher, grávida então de seu terceiro filho, alegou – assessorada por duas advogadas feministas – que foi violada. Há dez anos, McCorvey converteu-se primeiro ao Cristianismo e em seguida ao Catolicismo, aderindo à causa pró-vida. A mulher revelou que na realidade nunca foi violada e entrou no jogo das feministas que viram no seu caso o pretexto perfeito para abrir as portas à legalização do aborto no Texas e depois em todo o país. McCorvey apresentou, no passado dia 17 de Junho, uma moção no Tribunal federal de Dallas, que decidiu a legalização do aborto no Texas antes do decreto final da Suprema Corte. Os escritórios dos fiscais gerais do Texas e Dallas têm 20 dias cada uma para responder ao pedido. A moção de McCorvey é acompanhada por 5.400 páginas de provas, incluindo mil affidavits (NDR – cartas notariais) de mulheres que asseguram arrepender-se de ter abortado. McCorvey, hoje com 55 anos, afirmou: “sinto como se o peso do mundo estivesse sobre os meus ombros”. Allen Parker Jr., advogado de McCorvey, assegurou não se lembrar de nenhum caso destas dimensões em que a pessoa que reclama pede que o decreto seja revertido.
