O poder político só tem sentido se estiver ao serviço da “dignidade e dos direitos da pessoa humana”. O alerta foi lançado pelo Vaticano na 14ª Conferência de ministros europeus responsáveis pelo Governo local e regional, que decorreu na semana passada em Budapeste. O arcebispo Juliusz Janusz, chefe da delegação vaticana na conferência, lembrou que a razão de ser da administração pública “é a de servir o ser humano em todos os níveis do Estado, com o objectivo de construir uma sociedade mais livre e responsável”. A intervenção do Núncio Apostólico na Hungria foi hoje publicada pela sala de imprensa da Santa Sé. “O bom governo local e regional é, nesse sentido, uma condição ‘sine qua non’ para que as autoridades respeitem a sua missão de servir o bem comum. Para ser bom, o governo local e regional exige uma forma de governo democrático”, acrescentou. A representação católica manifestou o seu apoio a todas as iniciativas que promovam “a participação de todas as pessoas da comunidade numa vida pública, sem excluir os estrangeiros”. “Uma participação partilhada requer que apostemos na área educativa, da informação e da comunicação. Uma informação adequada constitui, de facto, um dos principais instrumentos da participação democrática”, vincou D. Janusz. Em relação às autonomias locais e regionais, o representante da Santa Sé advertiu que elas não devem ser vistas “apenas como uma opção política, económica e cultural, mas também no contexto da solidariedade, sem esquecer os interesses mais amplos e as possíveis exigências de sectores menos influentes da sociedade”. A Santa Sé lembrou aos políticos que não podem esquecer a dimensão moral da sua actividade, vincando que “a corrupção política origina uma crescente desconfiança nas instituições públicas, que provoca um progressivo afastamento dos cidadãos em relação à política e os seus representantes”.
