Presidente do Conselho Nacional da Juventude acredita que iniciativa pode ser «ponte de motivação para JMJ Lisboa 2023»

Foto: Agência ECCLESIA/MC

Lisboa, 10 jan 2022 (Ecclesia) – João Pedro Videira, presidente do Conselho Nacional da Juventude (CNJ), disse à Agência ECCLESIA que este Ano Europeu da Juventude veio dar a oportunidade para “ouvir os jovens” e pode ser “ponte” de motivação para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023.

“Recebi esta notícia do Ano Europeu da Juventude de forma positiva e com grande esperança, que a Europa nos tem habituado, há um grande ênfase e destaque para a juventude, que é motivo simples e justo, porque as novas gerações com a pandemia ficaram com o futuro suspenso”, refere à Agência ECCLESIA.

O jovem portuense adianta que “vai haver um coordenador nacional para este ano em Portugal” e define que, além das ajudas dos fundos europeus “canalizados para diminuir a diferença que existe nesta geração mais afetada pela pandemia”, terá um lado de motivação à cidadania.

“Há ainda a vontade de colocar os jovens sentados à mesa com decisores políticos para ouvirem de viva voz os problemas do dia a dia dos jovens e, em conjunto, decidirem o seu próprio futuro”.

O presidente do CNJ, uma instituição com 36 anos que reúne diferentes organizações políticas, sindicais, escuteiros, juniores de empresas e federações de associação de estudantes, explica que é muito difícil os jovens em Portugal “concretizarem os seus projetos e aspirações de vida”.

João Pedro Videira identifica que os “jovens portugueses são os que consomem mais ansiolíticos da União Europeia” e mais de 80% sentiram efeitos ao nível psicológico referentes da “pandemia, confinamentos, solidão e aulas à distância”.

“É preciso dar esperança, dar luz e horizontes às pessoas e dar perspetiva que em Portugal podemos ser felizes e podermos concretizar os nosso projetos de vida”, aponta o jovem estudante de Engenharia Mecânica.

O entrevistado assinala que o “imediatismo” a que esta geração está sujeita nem sempre facilita a realidade e o voluntariado, por exemplo, traz outra perspetiva de vida. 

“Os jovens têm dificuldades em assumir compromissos, mas depois entram no espirito de missão, o dar sem esperar receber nada em troca, na ajuda ao idoso, na pessoa que precisa de comida, ou medicamentos, dão numa ação de voluntariado, por exemplo na federação académica do Porto tínhamos voluntários universitários em dois centros comunitários e eram mais de 40 jovens que ali ajudavam e se colocavam em contacto com outros mundos e novas experiências”, recorda. 

O responsável admite que estas experiências que “permitem desenvolver-se enquanto seres humanos e aumentar a capacidade de relacionamento com as outras pessoas” torna-se atualmente num “aspeto diferenciador na saída para o mercado de trabalho”, fazendo um “currículo único”.

“Quem o faz tem a capacidade de se colocar no lugar das outras pessoas, tem a compaixão e misericórdia de ajudar outra pessoa, depois perceber o impacto que a nossa ação teve na vida da outra pessoa é gratificante”.

É pelos “olhos da fé” que João Pedro Videira vai regendo a sua vida como jovem, estudante e cidadão com várias responsabilidades, os valores cristãos pautam o seu dia-a-dia e acredita que este Ano Europeu da Juventude pode ser “ponte de motivação” para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023. 

Apesar de “nunca ter estado numa JMJ”, o jovem tem “muita curiosidade” no evento pelos “relatos fascinantes” que conhece de quem já participou e deseja que a edição de 2023, em Lisboa, seja “um marco na história de juventude que Portugal tem”. 

“Acredito que não podem faltar momentos de diálogo inter cultural, pôr diferentes culturas em contacto, haver espaços seguros para estes contactos e uma matriz de respeito; garantir, numa vertente mais prática, a segurança, é um evento que vai atrair os holofotes do mundo e é preciso garantir a segurança física das pessoas e considero ser necessário um compromisso alargadíssimo a muitas estruturas com os objetivos que são definidos para esta JMJ”, refere.

Outro aspeto que João Pedro Videira anseia é o “encontro com o Papa”, a figura que veio “dar um novo alento e movimento de captação de jovens à Igreja” e que possa haver oportunidade dos jovens portugueses “estar com o Papa e em harmonia com todos os irmãos que lá vão estar”. 

Esta entrevista vai estar em destaque na semana de 10 a 14 de janeiro de 2022, no programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, pelas 22h45, ficando depois disponível online.

SN

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