«A humanidade avança graças àqueles que se entregam generosamente, mesmo neste tempo de turbulência e incerteza» – irmão Alois

Taizé, França, 22 dez 2020 (Ecclesia) – A Comunidade Ecuménica de Taizé convida a ‘manter a esperança em tempo propício e fora dele’ na mensagem para 2021, incentivando a “viver a fraternidade” e a “modificar o olhar”.

“Deixemos que Cristo renove o nosso olhar: Através dele reconhecemos mais claramente a dignidade de cada ser humano e a beleza da criação; a esperança, longe de ser uma confiança ingénua, nasce e renasce porque se enraíza em Cristo; uma alegria serena preenche-nos e, com ela, a coragem de assumir as responsabilidades que Deus nos confia na Terra”, explica o irmão Alois, prior da comunidade sediada em França.

Na mensagem para 2021 – ‘Manter a esperança em tempo propício e fora dele’ – o responsável afirma que a “humanidade avança graças àqueles, tão numerosos, que se entregam generosamente, mesmo neste tempo de turbulência e incerteza”.

O irmão Alois alerta que na atual situação pandémica assiste-se a “um aumento da precariedade em vastas regiões do mundo” e são necessárias decisões políticas corajosas mas “a solidariedade e a amizade social” que todos podem viver “são igualmente essenciais”.

“Muitos estão prontos para servir os outros. A sua generosidade lembra‐nos que a entreajuda abre um caminho para o futuro. E muitos jovens estão a investir as suas energias para salvar a nossa casa comum que é o planeta”, acrescenta, assinalando que essas iniciativas “já permitem avançar para estilos de vida mais respeitadores do meio ambiente” e que em Taizé continuam “os esforços para a transição ecológica” e “todas as propostas são bem‐vindas”.

A comunidade ecuménica realça a importância de “viver a fraternidade” e que nas “difíceis realidades do presente” é possível perceber “motivos de esperança e, às vezes, até de esperança contra toda a esperança”, para isso incentiva que se juntem “a quem tem diferentes opções de vida, a cristãos de outras confissões, a crentes de outras religiões, a agnósticos ou a ateus que também estejam comprometidos com a fraternidade e a partilha”.

“A alegria renova-se quando vivemos a fraternidade, quando estamos perto dos mais necessitados: pessoas sem-abrigo, idosos, doentes ou pessoas sozinhas, crianças em dificuldade, pessoas com deficiência, migrantes… As circunstâncias da vida podem tornar-nos vulneráveis; e a pandemia revela as fraquezas de nossa humanidade”, desenvolve o irmão Alois, lembrando que o Papa Francisco recorda “com força que «ninguém se salva sozinho»”, na encíclica ‘Fratelli Tutti’.

O prior de Taizé indica também que durante a pandemia a Igreja pode “continuar a promover a fraternidade na família humana” e na reflexão sobre ‘modificar o olhar’  partilha três sugestões, lembrando que “a Igreja é chamada a procurar o diálogo, a sair ao encontro de todos”, incentiva a “acolher um exilado ou uma família”, que pode dar “um novo estímulo às paróquias ou comunidades”, e refere que ser “uma comunidade acolhedora significa ouvir as pessoas mais vulneráveis”, e a “proteger a integridade de todos”.

A comunidade monástica francesa convida jovens dos 15 aos 35 anos a “reagir” à mensagem para 2021 e “ilustrá‐la com exemplos concretos” de iniciativas ou que pessoas que são “um sinal de esperança” (solidarity@taize.fr), e nos próximos meses essas partilhas vão ser publicadas online.

Segundo o irmão Alois, nos últimos meses, muitos jovens partilharam com os monges “as suas preocupações sobre o futuro”, nomeadamente, “que esperança guiará”, onde podem “apoiar com confiança quando tudo é tão instável” e, “mais profundamente, com que propósito vale a pena viver”.

“Outras vozes se levantam para dizer: Resistamos ao desencanto; estejamos atentos aos sinais de esperança”, afirma o prior da Comunidade Ecuménica de Taizé.

CB/OC

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