Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus

Estamos a olhar uma realidade que se foi construindo com muito amor, dedicação e abnegação. Três mulheres, duas portuguesas e uma espanhola – Trinidad Franqueza com 39 anos, Maria da Luz Martins, 25 anos, e Maria do Carmo Gil Manso com 24 anos.  As duas Irmãs portuguesas eram oriundas, respetivamente, de Vila Fernando – Guarda e de Alfaiates – Sabugal.

É a esta tríada de Hospitaleiras que Bento Menni prepara e envia a implantar a Congregação em Portugal. O narrativo dos inícios desta fundação é icónico e paralelo às origens da Congregação em Ciempozuelos – Madrid, em 31 de maio de 1881.

Por um lado, a extrema pobreza, a ausência de materialidade, de recursos e, por outro, a força interior de uma fé inabalável, de uma certeza de que as obras de Deus nascem de pequenas sementes que o Amor de caridade lança à terra da humanidade sofredora, e que o amor entranhável do Pai, encarnado e manifestado em Jesus de Nazaré, continuado pelos seus seguidores e seguidoras, hoje, faz germinar e crescer na seara da Hospitalidade.

Antes do envio das Irmãs, Bento Menni esteve diversas vezes em Portugal para marcar o que se pretendia realizar, as condições indispensáveis para responder à necessidade identificada de cuidar as pessoas com sofrimento psíquico. Havia um trabalho a montante, que poderíamos designar de “sapa”. Ele não deixava nada ao acaso.

Continuemos nos inícios. As três Hospitaleiras são acompanhadas por Bento Menni até Madrid, ali recebem as últimas instruções. É o dia 28 de janeiro de 1894. Entrega-lhes os bilhetes da viagem para Lisboa, 25 pesetas em dinheiro e o seu chapéu de sol. É interessante falarem em guarda sol, porque todos nós o utilizamos sobretudo para nos abrigarmos da chuva, mas de facto é de sol, de luz, de calor, do fogo da caridade que Bento Menni fala, comunica, testemunha e envia com a palavra e o exemplo.

No dia seguinte, as Irmãs chegam a Lisboa, esperam-nas o Irmão Bernardo da OH e a Sra. D. Mariana Ferreira da Silva, uma das benfeitoras que as ajudará nos primeiros seis meses a reconstruir a casa em ruinas, sita na quinta onde hoje sobressai a grandiosa obra da Casa de Saúde da Idanha, que tem no alicerce esta força indomável do amor que se projeta e concretiza mais e mais.

Esta Obra Hospitaleira de implantação da Congregação em Portugal, com origens tão simples de abnegação, de trabalho árduo, de um amor sem limites à causa do Reino, das primeiras irmãs e das gerações que se seguiram, gerou novos estabelecimentos de saúde, novos “templos de caridade” em várias zonas do nosso País, no Brasil – S. Paulo e Divinópoles e em África – Moçambique e Angola (web: https://www. irmashospitaleiras.pt).

Destacamos a importância de celebrarmos o acontecimento fundante – 125 anos a recriar a hospitalidade, para fazer memória agradecida e para projetar a Hospitalidade em fidelidade criativa, continuando na rota de S. Bento Menni – Para a frente, para a frente… Hoje, com todos os que formamos a Família Hospitaleira.

Ir. Isabel Morgado
Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus

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