Voluntariado Missionário: Leigos para o Desenvolvimento trabalham com «realidades micro, em bairros ou localidades», onde implementam «um grupo comunitário»

«O nosso feedback é sempre positivo, até porque são aquelas pessoas que se apropriam do projeto» – André Patrício Peixoto

Lisboa, 05 jan 2026 (Ecclesia) – Os Leigos para o Desenvolvimento (LD), ONGD ligada à Companhia de Jesus (Jesuítas) em Portugal, têm projetos em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e celebram 40 anos, neste Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável 2026.

“Nós temos uma abordagem, não é a verdade absoluta, de desenvolvimento comunitário, em cada realidade onde procuramos entrar já não trabalhamos com realidades macro, trabalhamos com realidades micro, em bairros ou localidades, onde implementamos um grupo comunitário”, disse André Patrício Peixoto, dos Leigos para o Desenvolvimento, esta segunda-feira, dia 5 de janeiro, em entrevista à Agência ECCLESIA.

A ONGD católica trabalha em prol do desenvolvimento integral e integrado em países de expressão portuguesa, e, acrescenta o gestor de projetos para Moçambique, esse grupo comunitário “dá voz aos líderes locais”, desde os responsáveis de órgãos locais do Estado, de clubes de futebol, às diversas Igrejas.

“Reunimos estes líderes, pomo-los a debater os problemas do seu próprio bairro, e a arranjar as soluções localmente para esses problemas. Isto tem um impacto muito grande, as pessoas envolvem-se muito, porque veem o trabalho da sua própria discussão”, explicou, na entrevista realizada no âmbito do Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável, proclamado pela ONU para 2026.

A organização de inspiração cristã Leigos para o Desenvolvimento tem atualmente projetos em Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, já desenvolveu também em Portugal e Timor-Leste, e André Patrício Peixoto realça que já tiveram “projetos muito interessantes”, como limpezas de bairros, roteiros turísticos, de água e saneamento, mas “são projetos que nascem localmente, da vontade dos líderes, e são implementados também pelas pessoas”.

“O nosso feedback é sempre positivo, até porque são aquelas pessoas que se apropriam do projeto. Ou as pessoas ficam com o projeto, ou não ficam, criar cisões não é em nada benéfico. Nós não estamos a trabalhar contra, estamos a trabalhar com, e isso é claro tanto que o nosso trabalho inicial é um pouco de mobilização”, desenvolveu o gestor de projetos para Moçambique dos LD.

Em 2026, a associação Leigos para o Desenvolvimento celebra 40 anos, nasceu formalmente no dia 11 de abril de 1986, em Lisboa, e já enviou mais de 500 voluntários em missão, André Patrício Peixoto salienta que o objetivo “é que contribuam para um projeto continuado”, que é depois prolongado pelos próximos voluntários, porque “têm ciclos de um ano”.

Os LD realizam um ano de formação com quem vai para o terreno, “um ano de formação intenso”, e, segundo o entrevistado, se a pessoa vai com “a motivação errada, errada entre aspas, há sempre espaço para poder alinhar e acomodar uma nova perspetiva”, porque se o motivo for “enriquecer o currículo esta motivação vai ser muito vazia, não vai ser o suficiente para que a pessoa viva aquela experiência”, principalmente com a duração de um ano.

“Tem de ser um compromisso. E tem de ser um compromisso com as pessoas, com quem vão estar e com quem vão trabalhar; qualquer pessoa que passe por uma experiência dessas se transforma pela experiência que vive. Mas que seja um contributivo efetivo para melhorar a vida das comunidades em que vão estar”, acrescentou Catarina António, da Fundação Fé e Cooperação (FEC), no Programa ECCLESIA desta segunda-feira, na RTP2.

A FEC, organização da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), coordena atualmente a Plataforma de Voluntariado Missionário de Portugal, e, segundo a entrevistada, “cada vez acontece mais” ser “muito valorizado nos currículos” o voluntariado, ou alguém ser voluntário.

“Vai ser crescimento pessoal, vai ser crescimento emocional, vai ser crescimento para os crentes na fé, e isso acaba por ir transformando a pessoa. Não pode ser a motivação principal só completar o currículo, mas, às vezes, é a forma que a pessoa encontrou de entrar no mundo do voluntariado”, desenvolveu a gestora de projetos Catarina António.

No último ano, a ação e o programa de voluntariado dos Leigos para o Desenvolvimento transformou “mais de 25.000 pessoas” nos projetos que desenvolveram em Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

As Nações Unidas declararam 2026 o Ano Internacional dos Voluntários para o Desenvolvimento Sustentável (IVY 2026, sigla em inglês), com o tema ‘Toda a Contribuição Importa’; a ONU convida a recordar e implementar projetos que concretizem os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) indicados para contribuir para um mundo mais sustentável e justo.

HM/CB/OC

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