Com a proximidade do Dia Mundial das Comunicações Sociais, 1 de Junho, D. João Alves, Presidente da Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, pede aos jornalistas para que voltem a ler a «Pacem in Terris» Agência ECCLESIA – Actualmente, os quatro pilares da «Pacem in Terris» são utilizados na Comunicação Social? D. João Alves – Eu creio que são quatro valores a que a Comunicação Social é sensível. Mas os conteúdos nem sempre coincidem totalmente com o texto da «Pacem in Terris». Apesar de tudo, é com alegria que verifico que estes valores são olhados com simpatia. Nem admira porque o próprio Papa, e as pessoas que colaboraram na redacção deste texto famoso, estavam atentas ao mundo e aos verdadeiros problemas. Mas deixo um apelo à Comunicação Social: que volte a ler a «Pacem in Terris». A.E. – Será compatível a rapidez exigida aos jornalistas e os valores citados na «Pacem in Terris»? J.A. – Se o critério predominante passa pela novidade ou pelo sensacionalismo então é difícil aplicar os pilares na Comunicação Social. Mas não deixo de elogiar os jornalistas que têm sensibilidade para os grandes problemas da humanidade e para o lugar dos grandes valores éticos. AE – Vê jornalistas cristãos a fazerem cobertura jornalísticas sobre os grandes escândalos da sociedade portuguesa? J.A. – É natural porque muitos jornalistas não se sentem com liberdade de movimentos para abordar aquilo que gostariam. Situações relacionadas com as limitações económico-financeiras, ou por outras conveniências. Mas os jornalistas católicos que conheço são muito cuidadosos ao abordarem estes problemas. AE – O episcopado português já “navega” com naturalidade na Internet? J.A. – Há quem “navegue” com facilidade e outros com mais dificuldades. Mas temos uma sensibilidade para estas técnicas e com um interesse crescente. AE – No preambulo da Constituição Europeia, tornado público recentemente, faz-se referência à herança religiosa da Europa. Não é uma afirmação muito lata? J.A .- Eu como cristão e bispo gostaria de ver uma referência a Deus e ao Cristianismo. Os termos que estão lá, «herança cultural, religiosa e humanista», são tudo termos genéricos que revelam, apesar de tudo, um progresso e uma abertura. Num documento desta envergadura, já é bom que apareça o adjectivo religioso. Nesta pluralidade é difícil encontrar uma explicitação maior… mas estes vinte séculos de cristianismo na construção da Europa merecia um designação mais concreta e explícita do cristianismo. AE – Que mensagem gostaria de deixar aos jornalistas neste Dia Mundial das Comunicações Sociais? J.A. – Que entendam sempre a sua função como um serviço. E que estejam sempre ao serviço do Bem Comum.
