Mensagem do Reitor do Seminário de Beja para a Semana dos Seminários O Senhor prometeu que nos daria pastores segundo Seu coração (Cf. Jer., 3, 15). Nesta esperança, sempre renovada, a Igreja tem atravessado os séculos, umas vezes confiando mais (demais) em si do que no Mestre, outras vezes, humanamente fragilizada, mas interiormente renovada e abandonada nas mãos do Espírito Santo. Olhando, porém, para o vasto campo que se abre diante da Igreja e para o pequeno número daqueles que decidem jogar as mãos ao arado e começar a trabalhar, facilmente somos levados a concluir que existe uma crise a nível vocacional. Contudo, uma reflexão mais aprofundada far-nos-á compreender que essa crise é mais vasta e transversal, pois atinge todos os sectores da vida, social, económica, eclesial. Associados à ideia de crise surgem-nos um conjunto de sentimentos como o desespero, a falta de horizontes, a insegurança e o medo do futuro. Estas atitudes atingem também os cristãos e aqueles que dentro da Igreja têm mais responsabilidades. Por isso, foi extremamente oportuno que o Papa João Paulo II na Exortação Apostólica “Igreja na Europa”, desafiasse a Igreja a acolher e a anunciar o Evangelho da Esperança a uma Europa que parece tê-la perdido. Do ponto de vista vocacional o Papa exorta a Igreja a “introduzir o anúncio vocacional nos sulcos da pastoral ordinária” (n.º 40), pois, as circunstâncias actuais “exigem que a pastoral das vocações seja vista como um dos objectivos primários de toda a comunidade cristã.” (nº 40) Pretendendo ser ainda mais concreto o Santo Padre vai até ao ponto de nos dizer o que temos de fazer: “explicar aos fiéis a fé da Igreja sobre a natureza e dignidade do sacerdócio ministerial; encorajar as famílias a viverem como verdadeiras «igrejas domésticas», para que nelas seja possível ouvir, acolher e seguir as diferentes vocações; realizar uma acção pastoral que ajude, sobretudo os jovens, a fazer opções por uma vida radicada em Cristo e totalmente dedicada à Igreja.” (n.º 40)Dirigindo-se antes aos sacerdotes o Papa tinha afirmado que eles “são chamados de um modo especial a celebrar, ensinar e servir o Evangelho da esperança.” (n.º 34). Depois, retoma um tema que lhe é muito caro: o do testemunho e afirma desassombradamente: “é indispensável que os próprios sacerdotes vivam e actuem de forma coerente com a sua verdadeira identidade sacramental. De facto, se a imagem que dão de si mesmos for opaca ou esvaída, como poderão atrair os jovens ao mesmo estilo de vida?” (n.º 40).Ficam estas palavras para nós sacerdotes meditarmos, em especial, durante a Semana dos Seminários e para que as nossas comunidades rezem por nós, para que sejamos capazes de acolher o desafio e de arrastar outros connosco nesta viagem. Pe. Manuel António Guerreiro do Rosário, Reitor do Seminário de Beja
