Visita pastoral é momento de avaliação pessoal e paroquial

Uma visita pastoral pode ser o motivo para que cada um se interpele sobre a forma como tem agido em família e na comunidade. O facto de coincidir com a festa de Cristo Rei do Universo, na qual se celebra o fim do ano litúrgico, torna o momento mais importante e simbólico. Essa foi a mensagem deixada por D. Antonino Dias, bispo auxiliar de Braga, na homilia proferida na Eucaristia e celebração do Sacramento da Confirmação, ontem, em Mariz, Barcelos. Antes da celebração, decorreu a cerimónia de bênção da primeira pedra da obra de recuperação e adaptação da residência paroquial para centro pastoral. O prelado disse que, terminado um ciclo litúrgico, «o fim de um ano de caminhada, sentimos a necessidade de nos avaliarmos. Muito mais exigente se torna se prestarmos atenção ao significado do encerramento da visita pastoral». O responsável eclesiástico salientou que se trata um acontecimento raro, «que acontece pela força do direito de cinco em cinco anos. Lembremos que a Arquidiocese de Braga possui 551 paróquias e, por isso, existe a dificuldade de fazer essa volta em cinco anos. Faltam as últimas comunidades do arciprestado de Barcelos, e, ainda, Vila Verde e Famalicão». Por ser uma oportunidade rara, D. Antonino Dias avisou que «se não houver gosto pela avaliação cristã, entramos numa certa monotonia e não agimos com aquela tensão cristã activa». O prelado interpelou os fiéis da seguinte forma: «Todos os domingos escancaramos as portas da igreja para nos congregarmos pela Palavra. Todos os domingos é-nos proposto fazer-mos memória daquilo o que o Senhor fez por nós. Saímos pela porta de entrada com o propósito de agirmos nas situações concretas da mesma forma como Cristo agiria se se encontrasse perante elas!?» Assim, desafiou os presentes a «procurarem formar um só corpo, aceitando o desafio que Deus faz constantemente. Nesse sentido, é com alegria que vejo todos à volta do projecto de recuperação e adaptação da residência paroquial. Trata-se de um sinal de renúncia a outras coisas para atingir objectivos comuns». Durante a bênção da primeira pedra da reabilitação do edifício, D. Antonino Dias focara a «importância de se apostar na formação cultural e religiosa da sua gente. A paróquia tem de trabalhar a sua cultura de fé», salientou o prelado, que recordou que «muitos padres foram educadores de um povo. A obra nasce num bom momento e homenageia os nossos antepassados. Trata-se de um local de encontro com uma memória histórica que tem de ser recuperada. Hoje continuamos a formar e, por isso, as comunidades precisam de espaços». O bispo auxiliar não deixou, no entanto, de dizer que, «apesar da dimensão de Mariz, a grandeza de uma paróquia mede-se pela sua capacidade de amar e de dar as mãos para conseguir os seus objectivos, porque a estrutura deve estar ao serviço da promoção da comunidade». D. Antonino Dias referiu-se, igualmente, à importância que o apoio do erário público associado tem na concretização do projecto. Primeira fase custa cerca de 13 mil contos A primeira fase da obra de recuperação e adaptação da residência paroquial de Mariz foi adjudicada e está orçada em 13.500 contos. Para já, foram arrecadados oito mil contos. O padre Manuel Ferreira, pároco de Mariz, Perelhal e Vila Cova, exaltou o esforço que «cada família tem feito desde o início da angariação de fundos, em Janeiro de 2003». «A nossa geração não quer deixar cair no esquecimento tantos padres que foram acolhidos neste espaço», salientou o clérigo, que referiu que «a paróquia reuniu esforços para o reconstruir, levando um novo rumo atendendo as necessidades actuais da comunidade». Nesse sentido, sacerdote explicou que o futuro centro paroquial conta com quatro salas de catequese, no piso superior, e, no rés-do-chão, um amplo espaço para convívios, festas de catequese e jovens, entre muitas actividades possíveis. Para além disso, existe um alpendre adjacente ao edifício que se destina ao cartório paroquial, um escritório e uma pequena sala de atendimento dos fiéis. Mas, para já, a obra ainda não foi iniciada por causa da falta das verbas necessárias para o efeito. Dessa forma, aproveitando a presença de Fernando Reis, Presidente da Câmara Municipal de Barcelos, pediu que, dentro das possibilidades do município, a paróquia fosse ajudada nessa empresa, não deixando de referir a receptividade que tem sentido por parte da edilidade barcelense. Por isso, Fernando Reis deixou claro que, após várias reuniões com os representantes paroquiais, a Câmara vai «comparticipar para que a primeira fase comece e termine. Aliás, já dei ao pároco a minha palavra de honra que farei todos os esforços para que também o Governo possa atribuir à recuperação deste espaço, um valor significativo para que não haja interrupções». O responsável político barcelense também se mostrou satisfeito com «a obra que tem um significado especial para a vida social da freguesia. Apesar do tamanho de Mariz, os seus habitantes não podem deixar de ambicionar ter tudo o que as outras têm». «Essa comparticipação não faz parte das obrigações da edilidade, mas temos de estar atentos ao aspecto religioso», disse o autarca, que não se esqueceu de frisar «os momentos actuais de dificuldades financeiras nas famílias e no próprio Estado. As pessoas e os cristãos de Mariz precisam», concluiu Fernando Reis.

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