Organismo fez um diagnóstico pelos municípios para «traçar um retrato socioeconómico» e compreender «como vivem, onde vivem, e como trabalham estas pessoas»

Viseu, 10 fev 2026 (Ecclesia) – A Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu realizou as suas primeiras jornadas, sobre o tema ‘Acolhimento e Integração de Imigrantes: Construir pontes’, com o objetivo de sensibilizar para a inclusão e debater os desafios e boas práticas.
“A Doutrina Social da Igreja e a promoção da dignidade da pessoa humana têm que estar, precisamente, nos dois pilares para construir estas pontes, para fazer que todos nos sintamos bem, e não reivindiquemos aquilo que nos é dado pela justiça”, disse o bispo de Viseu, que marcou presença na sessão de abertura das jornadas, em nota enviada hoje à Agência ECCLESIA.
As I Jornadas da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu tiveram como tema ‘Acolhimento e Integração de Imigrantes: Construir pontes’, e realizaram-se este sábado, 7 de fevereiro, na Escola Superior de Saúde de Viseu.
O bispo D. António Luciano assinalou a pertinência e atualidade do tema que deve criar “o desejo” de trabalhar estas áreas, “com desafios que são feitos à Igreja e à sociedade, construindo pontes justas e fraternas”.
A coordenadora da Comissão Diocesana Justiça e Paz explicou que a questão da dignidade humana “não é um problema apenas das pessoas que vêm de outros países”, mas é uma realidade “também àqueles que aqui nascem e sempre aqui viveram”, que se coloca todos os dias.
Helena Castro acrescentou que esta questão se torna “particularmente sensível para quem vem de fora”, para as que precisam de se “instalar, integrar e encontrar o seu lugar”, mas que, “muitas vezes, não encontram respostas para as suas necessidades”.
Segundo a coordenadora da Comissão Justiça e Paz da Diocese de Viseu estas jornadas resultaram de um estudo-piloto, realizado ao longo do último ano, através de um questionário aos vários municípios da região, com o objetivo de traçar um retrato local da imigração, que tem vindo a aumentar nos últimos anos, e a comunidade brasileira é a mais numerosa.
“O nosso objetivo foi procurar fazer um diagnóstico para conseguirmos traçar um retrato socioeconómico que permita compreender como vivem, onde vivem, e como trabalham estas pessoas, avaliando a gravidade das condições habitacionais, a eventual existência de situações de sobrelotação, como tem sido noticiado, bem como possíveis casos de exploração no mundo do trabalho”, explicou a responsável.
Alguns dos problemas identificados foram a dificuldade no acesso ao mercado de trabalho, as condições de precariedade habitacional e o recurso a empregos menos qualificados, com salários abaixo da média.
“Nos municípios onde existem políticas ativas de inclusão, como o apoio comunitário e oportunidades de interação ou de integração entre residentes e migrantes, as perceções são mais favoráveis”, salientou Helena Castro.

“Quando as comunidades se organizam para acolher e integrar, a imagem que se constrói sobre o estrangeiro tende a ser mais positiva. Está estudado que, quando se promovem relações entre pessoas de diferentes culturas, a tolerância à diferença aumenta significativamente”, observou a coordenadora da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu.
O bispo de Viseu, D. António Luciano, referiu também que o Documento Final do Sínodo dos Bispos convida “a escutar, a acolher, a aproximar-nos, a discernir”, para depois terem “os melhores serviços, as chamadas melhores práticas”, para irem ao encontro dos irmãos”.
Estas I Jornadas da Comissão Diocesana Justiça e Paz de Viseu inspiram-se na encíclica Fratelli Tutti (n.º 107), do Papa Francisco – “cada ser humano tem direito a viver com dignidade e a desenvolver-se integralmente” -, e contaram com a presença de várias entidades e instituições da sociedade civil e de âmbito diocesano; os alunos do Agrupamento de Escolas de Sátão foram os responsáveis pelos momentos musicais deste encontro.
CB
