Bispo de Vila Real pediu aos cristãos para serem construtores de paz «nas casas e nas comunidades» e lamentou «forte corrida aos armamentos»

Vila Real, 03 jan 2026 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real pediu que os cristãos sejam construtores de paz, afirmou que a religião é uma “escola de paz” e afirmou que o fim dos conflitos “é possível e necessário”.
“Apesar de difícil, a paz é possível e necessária, não só na Ucrânia, na Terra Santa e em tantos lugares do mundo. Rezemos hoje e sempre pela paz, mas sobretudo sejamos verdadeiros construtores de paz. Façamos das nossas casas e comunidades lugares de paz. Façamos do nosso coração um refúgio de paz. Não sejamos semeadores de mentiras e intrigas nem nos deixemos manipular por mensagens de ódio ou violência”, afirmou D. António Augusto Azevedo durante a celebração do Dia Mundial da Paz, na Sé de Vila Real.
“A religião deve ser escola de paz, cultivando a oração e uma espiritualidade promotoras de paz, incentivando o diálogo ecuménico e interreligioso como caminhos para a paz”, assegurou.
Naquela que marcou a primeira celebração do ano de 2026, o responsável manifestou o desejo de “que o rosto de Deus” se volte para cada pessoa, para que “auxilie a humanidade a encontrar caminhos de justiça e vida mais feliz para todos, de modo especial para quantos estão em situação de maior dificuldade ou sofrimento”.
“Num momento em que se assiste a uma forte corrida aos armamentos, sem deixar de reconhecer o direito dos países à sua proteção e legítima defesa, é necessário não omitir que aumentam os riscos de confrontos. Esses riscos, aliás, são exponenciados pela sofisticação das armas que recorrem cada vez mais a inteligência artificial, o que vem reforçar o poder destrutivo e multiplicar o rasto de morte e desumanidade que a guerra sempre semeia”, lamentou.
“A paz que Jesus nos deixou não é uma paz como o mundo a dá. É uma paz desarmada que confia no perdão, que aposta no diálogo e respeito pelo outro. Porém a paz que o mundo propõe é uma paz que tantas vezes significa a imposição da lei do mais forte, a imposição do medo e do terror pela força das armas”, indicou.
A partir da liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, D. António Augusto Azevedo indicou o exemplo de Maria que “guarda memória do que vai marcando os dias e de tudo vive a partir do coração”.
“Se fizermos este exercício, nestes dias que estamos a viver não podemos deixar de ficar com o coração condoído diante do sofrimento causado por tantas guerras que destroem a vida dos povos, semeiam o sofrimento a tantas famílias e a morte a tantos inocentes”, reconheceu.
Para o responsável, “ser cristão implica acolher a paz no coração, acreditar na paz e estar sempre comprometido com a paz”.
LS
