Vida Consagrada deve testemunhar e transformar

II Congresso Mundial chega ao fim João Paulo II pediu aos Religiosos e Religiosas da Igreja Católica que “testemunhem a esperança cristã e a lógica do dom desinteressado, continuem a dedicar-se pelo mundo, conscientes de que a única medida do amor é Amar sem reservas.” O pedido é feito na mensagem que o Papa enviou ao II Congresso Mundial da Vida Consagrada, que decorreu de 23 a 27 de Novembro, em Roma, sobre o tema “Paixão por Cristo, paixão pela humanidade”. O Congresso – que promoveram conjuntamente, pela primeira vez na história, a União dos Superiores Gerais (USG) e a União Internacional das Superioras Gerais (UISG) – começou com uma aposta por uma vida religiosa mais profética, menos instalada em si mesma e mais próxima dos pobres. No evento participaram 900 religiosos de 130 países, além de teólogos, bispos e representantes de outras confissões cristãs e de outras religiões. Os Religiosos e Religiosas, escreve o Papa na mensagem, “são chamados a oferecer à humanidade desorientada, dilacerada e desprovida de memória, testemunhos credíveis da esperança cristã, tornando visível o amor de Deus, que não abandona ninguém e oferecendo ao homem desmotivado razões verdadeiras para continuar a esperar”. Segundo João Paulo II, a Vida Consagrada possui um património inigulaável de “de vida e de beleza capaz de saciar qualquer sede, sarar todas as chagas, ser bálsamo para todas as ferida, preencher o desejo de alegria e de amor, de liberdade e de paz”. “O seu testemunho de vida casta, pobre e obediente mostrará, no alvorecer do terceiro milénio cristão, a transparência do rosto amoroso de Cristo”, acrescenta. Testemunhar o Evangelho O Religiosos e Religiosas dos cinco continentes assinaram o comunicado final do Congresso, no qual se comprometem a ser testemunhos com a vida do Evangelho de Cristo “em tempos de terrorismo”. Os participantes consideraram o evento como “um acontecimento sem precedentes”. O comunicado final denuncia alguns dos principais males sociais, como o “empobrecimento”, “as guerras”, o “terrorismo”, a “concentração do poder económico”. O documento assume que a Vida Consagrada passa por momentos difíceis, mas insiste-se que ela “se encontra bem inserida no caminho da humanidade e da Igreja”. “Não somos Ordens Religiosas, mas uma só família”, sublinha o comunicado. Os Religiosos e Religiosas falam em “sete virtudes para hoje”: profundidade, hospitalidade e gratuidade, não-violência, liberdade de espírito, audácia e criatividade, tolerância e diálogo, simplicidade. No decorrer dos trabalhos, o Arcebispo Franc Rodé, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica da Santa Sé, pediu aos Religiosos e Religiosas de todo o mundo que marquem a sua acção pelo “primado da santidade, o crescimento na sensibilidade eclesial e o testemunho da caridade de Cristo”. Segundo D. Rodé, o caminho de renovação dos Institutos Religiosos nunca será um retorno puro e simples às origens, mas “uma novação do fervor das origens, da alegria de começar uma experiência de apropriação criativa do carisma”. A necessidade de renovação foi o pano de fundo das intervenções de vários conferencistas, sobretudo no que diz respeito à forma de “atrair vocações”.

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