Quando no passado dia 16 de Novembro foi assinado um acordo de paz no Burundi parecia que o trabalho do Núncio Apostólico no país, D. Michael Courtney, estava completo. O próprio João Paulo II deveria pensar da mesma maneira, já que tinha decidido envia-lo proximamente para outra situação delicada, em Cuba, onde aliás o arcebispo irlandês já exercera funções diplomáticas. O assassinato do representante do Papa, na passada segunda-feira, veio desmentir estas certezas. D. Michael Courtney tinha desempenhado um papel de mediador num país destruído por 10 anos de guerra civil entre Hutus e Tutsis, como reconheceu o secretário-geral da ONU na sua mensagem de condolências. Nesse sentido tinha-se encontrado regularmente com os grupos rebeldes, mormente com as Forças Nacionais de Libertação (FNL), agora acusadas de terem organizado a emboscada onde viria a ser assassinado. As FNL, apesar de recusar responsabilidades, aponta agora as armas sobre o presidente da conferência episcopal local, com um ultimato de 30 dias para que abandone o país. Este grupo rebelde é o único que se mantém na luta armada contra o governo, dado que as FDD (Forças para a Defesa da Democracia) assinaram em Novembro o supracitado acordo de paz. O futuro do país, que vive mais uma das “guerras escondidas” – a opinião pública parece ter espaço para apenas uma guerra de cada vez – fica assim comprometido, dado que as FNL dão mostras de uma intransigência total em relação a negociações com o governo, admitindo apenas discutir com o exército – também ele dirigido por Tutsis – ou com representantes da comunidade tutsi. Notícias relacionadas • Rebeldes do Burundi ameaçam de morte o presidente da Conferência Episcopal
