D. Jesús González de Zárate descreve a Igreja como um «lugar de encontro” e lamenta lentidão na libertação de presos políticos

Caracas, 21 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV) afirmou que a Igreja Católica está a trabalhar para ser um “local de encontro” num momento de definição para o país, apelando à “tolerância, reconciliação e perdão”.
“A Igreja local esforça-se por ser um lugar de encontro para todos e por acompanhar constantemente a população na sua luta pelo triunfo do bem, da verdade e da justiça”, disse D. Jesús González de Zárate, em entrevista ao portal ‘Vatican News’.
O arcebispo de Valência (Venezuela) sublinhou que a promoção do diálogo e da paz é uma tarefa diária e exigente numa nação onde, “após a prisão de Maduro, o contexto está em fase de definição”.
O responsável católico identificou como caminhos para a paz a primazia da dignidade humana e a solidariedade, num cenário social marcado pela crise.
“A insegurança, as carências na educação, na saúde e nos transportes, a precariedade dos salários, a inflação constante são fatores que afetam significativamente a vida quotidiana da grande maioria da população e constituem hoje a sua principal preocupação”, advertiu.
Sobre o anúncio da libertação de detidos por parte das autoridades, o presidente da CEV classificou-o como uma “boa notícia”, mas apontou falhas no processo que geram ansiedade nas famílias.
“O processo de libertação é muito lento. Os familiares dos detidos continuam à espera de outras libertações: passam até a noite à porta das prisões à espera de que isso aconteça”, relatou.
D. Jesús González de Zárate reiterou a posição dos bispos venezuelanos, afirmando que “o pedido geral da população é a libertação de todos os prisioneiros políticos”.
Apesar do clima de incerteza, o prelado destacou a “reserva espiritual” do povo, visível na maciça participação na festa da ‘Divina Pastora’, a 14 de janeiro, considerando que a fé continua a ser um ponto de “conforto e força” para os venezuelanos.
OC
