Venezuela: Presidente da Conferência Episcopal fala em «calma surreal» e pede soluções democráticas

D. Jesús González de Zárate descreve população com «mais perguntas do que respostas» após intervenção dos EUA e agradece «programa» de paz traçado pelo Papa Leão XIV

Caracas, 06 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) descreveu hoje o estado de espírito da população como uma mistura de “sentimentos contraditórios” e uma “calma surreal”, após a intervenção militar dos Estados Unidos que levou à detenção de Nicolás Maduro.

“As pessoas aguardam as consequências dos acontecimentos que ainda estão em pleno andamento. Para muitos, agora, há mais perguntas do que respostas”, afirmou D. Jesús Andoni González de Zárate Salas, em declarações aos meios de comunicação do Vaticano.

O arcebispo de Valência (Venezuela) relatou que, após o pânico inicial de sábado, que levou à corrida aos bens de primeira necessidade, o país entrou numa “calma tensa”, notando que a participação nas missas de domingo foi “quase normal”, um sinal de que “a esperança ainda não morreu”.

“É sempre a mesma esperança que se manifestou repetidamente ao longo dos anos difíceis que tivemos de viver: a de poder responder aos nossos problemas em paz, com a participação de todos e de acordo com a Constituição e os valores democráticos”, sustentou.

Para o responsável católico, a solução para a crise deve passar pelo “respeito e a dignidade da pessoa, a tolerância e a compreensão mútua”, rejeitando atalhos violentos.

D. Jesús González de Zárate foi perentório ao defender a soberania nacional, sublinhando que o futuro do país está nas mãos do seu povo.

“O compromisso de responder às realidades complexas e difíceis que o nosso país está a viver é uma responsabilidade que cabe em primeiro lugar e acima de tudo a nós, venezuelanos, embora tenhamos sempre apreciado a ajuda da comunidade internacional”, referiu.

O presidente da CEV agradeceu ainda a mensagem de Leão XIV para o país, considerando-as um guião para o futuro imediato.

“Apreciamos muito as suas palavras de domingo, nas quais encontramos todo um programa a seguir: superar a violência, empreender caminhos de justiça e paz, garantir a soberania do país”, concluiu.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos expressou hoje “profunda preocupação” com a situação na Venezuela após a operação militar realizada pelos Estados Unidos da América durante o fim de semana, considerando que a mesma “violou um princípio fundamental do direito internacional”.

“Como ficou claro nos relatórios do Gabinete de Direitos Humanos, que há mais de uma década denunciam a contínua deterioração da situação na Venezuela, os direitos do povo venezuelano têm sido violados há demasiado tempo. Teme-se que a atual instabilidade e a maior militarização do país, em consequência da intervenção dos Estados Unidos, agravem a situação”, acrescenta a nota, divulgada online.

OC

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