Pedro Vaz Patto afirma que o ataque dos EUA «não é justificável», apontando para uma transição democrática a partir da sociedade venezuelana

Lisboa, 03 jan 2026 (Ecclesia) – O presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP) disse que o ataque dos Estados Unidos da América à Venezuela pode criar uma “oportunidade” para a transição democrática no país, alertando que “os fins não justificam os meios”.
“É de saudar a oportunidade que pode ser criada para uma transição para a democracia na Venezuela. Mas é bom deixar claro que os fins não justificam os meios: há uma violação da lei internacional, há o recurso à força fora dos quadros legítimos da Carta das Nações Unidas e isso não é justificável”, afirmou hoje Pedro Vaz Patto.
Na madrugada deste sábado, o presidente dos Estados Unidos da América (EUA) ordenou um “ataque em grande escala” na Venezuela com o fim de capturar o Nicolás Maduro, chefe do Estado venezuelano, e a primeira-dama do país, Cilia Flores, acusados de terrorismo e narcotráfico.
O presidente da CNJP, da Conferência Episcopal Portuguesa, disse que “é de auspiciar” que se dê a transição para democracia, alertando que “não é garantido que isso aconteça”.
“Uma imposição externa poderá não ser bem aceite pelo povo venezuelano. Há uma divisão nas pessoas, na sociedade, e isto pode não ser favorável”, alertou.
Pedro Vaz Patto espera que aconteça “uma transição para um governo legítimo e democrático” na Venezuela, alertando para o precedente que pode ser criado com ação dos EUA.
“Se aceitamos neste caso, vamos aceitar em muitos outros. E um governo poderoso, como o dos Estados Unidos, não pode dominar o mundo assim, sem prestar contas às organizações internacionais e sem respeitar a lei internacional”, sublinhou.
O presidente da CNJP disse que o ataque dos EUA não é “o método para estas situações” e defendeu uma transição no regime do país a partir da sociedade venezuelana.
“É natural que as pessoas aceitem melhor uma transição que parte de dentro da Venezuela do que aquilo que é imposto do exterior, desta forma”, apontou.
Esta tarde, Donald Trump afirmou em conferência de imprensa que os Estados Unidos da América vão “dirigir a Venezuela”, tendo por objetivo a transição de poder no país.
PR
