Movimentos católicos condenam intervenção militar dos EUA e repressão interna do regime

Lisboa, 14 jan 2026 (Ecclesia) – A ‘Pax Christi’ Internacional apelou hoje ao fim da violência na Venezuela, condenando a intervenção militar dos Estados Unidos e a repressão interna do regime de Caracas.
“As ações militares dos Estados Unidos em território venezuelano representam um precedente perigoso que corre o risco de legitimar novas violações por parte de nações poderosas, potencialmente mergulhando o mundo numa injustiça descontrolada”, refere uma declaração assinada pelos copresidentes e a secretária-geral do movimento católico.
Os responsáveis alertaram para a delicadeza da situação política, após a “agressão militar” norte-americana de 3 de janeiro, que levou à captura de Nicolás Maduro.
A organização católica associa-se aos apelos da Igreja na Venezuela, pedindo simultaneamente o respeito pelos direitos humanos por parte dos governantes e a proteção das vítimas da opressão.
Exigimos o fim da tortura, dos tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes aos presos políticos, a sua libertação e o fim de todas as práticas ilegais do regime venezuelano.”
A ‘Pax Christi’ defende a necessidade de promover a diplomacia multilateral e o desarmamento global, recusando a lógica do equilíbrio de forças.
“A não violência é mais do que a ausência de guerra; é uma espiritualidade, um modo de vida e uma ética universal”, pode ler-se no texto, que cita o Papa Leão XIV.
Em paralelo, a comunidade católica de Santo Egídio, sediada em Roma, manifestou a sua satisfação pela libertação de Biagio Pilieri, jornalista e ex-deputado ítalo-venezuelano, preso desde agosto de 2024 pelo seu “compromisso democrático”.
“Em acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros e com alguns representantes da Igreja local, a comunidade trabalhou para a sua libertação, que ocorreu na noite passada”, informou a organização, em comunicado.
Segundo a organização não-governamental ‘Foro Penal’, foram libertados pelo menos 56 presos políticos desde a última quinta-feira.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) confirmou hoje a libertação de vários jornalistas que estavam detidos na Venezuela, quase uma semana depois de o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, ter anunciado a libertação de um “número significativo de presos políticos”.
OC
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