Venezuela: Cardeais manifestam «profunda preocupação» com situação no país

No final do Consistório, responsáveis católicos apelaram a uma «paz desarmada», associando-se a alertas do Papa

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 08 jan 2026 (Ecclesia) – Os cardeais reunidos no Vaticano para um Consistório extraordinário manifestaram a sua “profunda preocupação” com a situação na Venezuela e nos restantes cenários de conflito, sublinhando que a Igreja está junto do “sofrimento” da humanidade.

Em conferência de imprensa no final dos trabalhos, esta noite, o cardeal Luis José Rueda, arcebispo de Bogotá (Colômbia), afirmou que o apelo do Papa Leão XIV no último domingo, pedindo o respeito pela soberania e uma “paz desarmada”, marcou o tom da reunião.

“É inevitável que nós, cardeais latino-americanos, e também os asiáticos e africanos, estejamos preocupados com o que está a acontecer. Levamo-lo no coração, sofremos com ele, dói a todos nós”, declarou o responsável.

O arcebispo colombiano questionou as implicações da intervenção dos EUA “na geopolítica da América Latina” e defendeu a necessidade de “ser uma Igreja de proximidade, de ternura, capaz de compreender as situações dolorosas”.

Na mesma linha, o cardeal Pablo David, bispo de Kalookan (Filipinas), recordou que a exortação ‘Evangelii Gaudium’ (assinada por Francisco em 2013), tema central do consistório, exige que se leve a sério o “contexto sociopolítico”.

“A consciência das questões geopolíticas, ecológicas e de conflito”, notou o cardeal filipino, “é essencial, porque não se evangelizar no vácuo”, acrescentando que o Evangelho é “especialmente para as pessoas mais necessitadas, as que lutam contra o desespero”.

Também o cardeal Stephen Brislin, arcebispo de Joanesburgo (África do Sul), reforçou que a Igreja tem a responsabilidade de ser “peregrina da esperança” num mundo ferido.

“Há uma grande preocupação com o que está a acontecer no mundo e com a resposta da Igreja a tudo isso. A reflexão teológica não está de modo algum dissociada das guerras e da violência”, concluiu o responsável sul-africano.

Após a Missa presidida pelo Papa, esta manhã, os cerca de 170 cardeais presentes estiveram reunidos em duas sessões de trabalhos, que se focaram nos temas da sinodalidade e da evangelização, escolhidos na tarde de quarta-feira, primeiro dia do encontro.

Este Consistório extraordinário aconteceu oito meses após o conclave de 2025, que escolheu Leão XIV, no qual estiveram quatro portugueses: D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa; D. António Marto, bispo emérito de Leiria-Fátima; D. José Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação; e D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal.

O Colégio Cardinalício conta atualmente com 245 membros (122 eleitores e 123 com mais de 80 anos), de 92 países.

OC

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