Vaticano retoma ataque contra a indústria farmacêutica

Representantes da Santa Sé repetiram hoje as críticas lançadas à indústria farmacêutica, na semana passada, pedindo que esta baixe os preços dos medicamentos destinados ao tratamento da Sida, em países do Terceiro Mundo. O “ministro da Saúde” do Vaticano, cardeal Javier Lozano Barragan, referiu que “quando está em jogo a vida das pessoas, cessa mesmo o direito à propriedade privada”, visando assim as empresas farmacêuticas que detêm a patente sobre os fármacos e não autorizam a produção de genéricos. “É preciso dar a todos os doentes o direito aos tratamentos, durante toda a sua vida”, disse aos jornalistas o presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde, na apresentação do XII Dia Mundial do Doente. O membro da Cúria Romana reconheceu, contudo, que muito já foi feito em favor das pessoas contaminadas pelo HIV, lembrando que o cocktail necessário para um doente baixou dos 150 mil para os 350 dólares anuais. Diante do tanto que foi feito, o cardeal desafiou a indústria farmacêutica a “chegar à doação dos fármacos” em países como o Botswana, onde 39,6% da população é vítima da doença, através de convenções enter governos e laboratórios. “As patentes são legítimas, mas existe também uma hipoteca social por causa delas”, acrescentou. Durante a apresentação da mensagem para a Quaresma de 2004, de João Paulo II, representantes do Vaticano exigiram que a comunidade internacional pressione as indústrias farmacêuticas, de modo a obter uma baixa significativa no preço dos medicamentos. “A cada dia, pelo menos 400 pessoas morrem no Quénia, por causa da Sida. Esta é uma acção genocida do cartel das empresas farmacêuticas, que recusam tornar acessíveis os medicamentos, ao mesmo tempo que declaram lucros de 517 mil milhões de dólares em 2002”, disse então o Jesuíta Angelo D’Agostino, fundador de um centro dedicado a crianças infectadas pelo HIV (dois milhões e meio, em todo o mundo), o “Nyumbani”, no Quénia.

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