Vaticano pede mais atenção aos dramas dos doentes mentais

Mensagem assinala Dia Mundial da Saúde Mental de 2005 O Vaticano pede um aposta mais decidida na prevenção para a área da saúde mental, de modo a garantir às populações de todo o mundo uma “educação para a saúde” e promover estilos de vida sadios. O apelo é lançado pelo Cardeal Javier Lozano Barragán, presidente do Conselho Pontifício para a Pastoral da Saúde (CPPS), na mensagem divulgada por ocasião do Dia Mundial da Saúde Mental de 2005 – ao qual a Organização Mundial de Saúde deu o tema “A Saúde Mental e Física ao Longo da Vida” O texto defende a promoção “do diagnóstico precoce, a intervenção aos primeiros sinais de mal-estar e sofrimento e a concretização de medidas específicas de intervenção”. O Cardeal destaca a importância de uma “cultura de valores”, considerando que a crise actual destes “está relacionada com algumas patologias e perturbações mentais”. “Não é possível o silêncio perante a contínua agressão à serenidade e ao equilíbrio mental, constituída por modelos sociais que levam à instrumentalização do homem e a perigosos condicionamentos da sua liberdade”, alerta. A mensagem quer manifestar “a viva atenção com a qual a Igreja segue os problemas da saúde”, frisando que a mesma “é fundamental para garantir a paz e a justiça entre os povos”. No texto sublinha-se que a condição de saúde dos indivíduos, famílias, comunidades e nações “é determinada por variáveis ambientais, biológicas, socioculturais, espirituais, económicas e políticas”, dados que no âmbito da saúde mental assumem “uma relevância particular”, segundo o CPPS, o qual lembra que 450 milhões de pessoas têm problemas mentais, neurológicos ou de conduta em todo o mundo, e que 873 mil suicidam-se todos os anos, segundo dados da OMS. O Cardeal Barragán lamenta que, apesar de “o mal-estar mental constitui uma verdadeira emergência social e de saúde”, 25% dos países carecerem de uma legislação nesta matéria. 41% não têm sequer uma política definida para a saúde mental e em mais de 25% dos centros de saúde os doentes não têm acesso a fármacos psiquiátricos essenciais. 70% da população mundial conta com menos de um psiquiatra por cada 100 mil pessoas. A estes dados, a mensagem acrescenta que “os transtornos mentais atingem com maior frequência as populações desfavorecidas desde o ponto de vista intelectual, cultura e económico”, como sequelas de “uma escassa alimentação”, “conflitos armados” e “da sucessão de catástrofes naturais gigantescas com sua pesada carga de mortalidade”. O CPPS deixa a todos os responsáveis da sociedade encarregados de velar pela saúde pública o apelo de que procurem oferecer “ajuda urgente” a estes doentes, “muitos dos quais se encontram pelas ruas ou nas suas famílias” sem possibilidade de receber a ajuda de que necessitam.

Partilhar:
Scroll to Top