David Ryan elogiou «empatia» de Leão XIV

Cidade do Vaticano, 03 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa Leão XIV recebeu esta segunda-feira David Ryan, sobrevivente de abusos no Blackrock College, em Dublin, informou o portal de notícias do Vaticano.
“Ele ficou triste ao ouvir o meu sofrimento, o sofrimento da minha família e o dos outros sobreviventes que ainda não se manifestaram. Foi sincero, percebi a sua empatia”, disse David Ryan à imprensa, após a audiência privada.
O irlandês e o seu irmão Mark, falecido em 2023, foram vítimas de abusos durante a infância em instituições geridas pelos Missionários do Espírito Santo (Espiritanos).
Segundo David Ryan, o Papa manifestou a esperança de que este encontro sirva de sinal para outros.
“Ele disse que espera que outras pessoas se manifestem e falem. É isso que eu quero: que outras pessoas se manifestem”, indicou, em declarações citadas pelo ‘Vatican News’.
O sobrevivente descreveu Leão XIV como um “homem adorável” e “sincero”, que compreendeu a dor vivenciada pela sua família, servindo a audiência como um “bálsamo” para feridas antigas.
“Levei 40 anos para entender que não era culpa minha, mas culpa deles. Lutamos muito”, explicou Ryan, que durante a conversa questionou o Papa sobre a persistência destes crimes.
O caso do Blackrock College e da escola primária Willow Park envolve cerca de 350 denúncias, factos que estão a ser investigados por uma Comissão de Inquérito formal, instituída pelo governo da Irlanda em setembro de 2024.
Durante o encontro, David Ryan mostrou ao Papa uma fotografia sua com o irmão Mark e ofereceu-lhe um presente com a cruz de Santa Brígida, padroeira da Irlanda, cuja festa litúrgica se celebrou a 1 de fevereiro.
Nos momentos finais da audiência esteve também presente Deirdre Kenny, ativista do grupo de apoio a vítimas ‘One In Four’.
Este gesto de Leão XIV segue-se a outros encontros similares, nomeadamente em outubro de 2025, com a associação ECA Global, e em novembro, com vítimas belgas, reforçando a posição expresso no Consistório extraordinário de janeiro, no qual o Papa classificou como “um escândalo” a falta de acolhimento a quem sofreu abusos na Igreja.
OC
