Leão XIV fala em «crime contra a humanidade», que exige mobilização em defesa das vítimas

Cidade do Vaticano, 06 fev 2026 (Ecclesia) – O Papa lançou hoje um apelo global para acabar com o tráfico de pessoas, um “crime contra a humanidade” que exige mobilização em defesa das vítimas.
“Por ocasião do 12º Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas [8 de fevereiro], renovo com firmeza o apelo urgente da Igreja para enfrentar e pôr fim a este grave crime contra a humanidade”, escreve Leão XIV, numa mensagem divulgada pelo Vaticano.
O texto, com o título ‘A paz começa com a dignidade’, destaca a importância de respeitar todas as pessoas.
“No entanto, numa época marcada pela escalada da violência, muitos são tentados a buscar a paz através das armas, como condição para afirmar o próprio domínio. Além disso, em situações de conflito, a perda de vidas humanas é muitas vezes descartada pelos instigadores da guerra como ‘dano colateral’, sacrificada em nome de interesses políticos ou económicos”, adverte o pontífice.
Segundo o Papa, é esta “lógica de domínio e desrespeito pela vida humana” que alimenta o “flagelo” do tráfico de seres humanos.
A instabilidade geopolítica e os conflitos armados criam um terreno fértil para os traficantes explorarem os mais vulneráveis, especialmente as pessoas deslocadas, os migrantes e os refugiados. Dentro deste paradigma falhado, as mulheres e as crianças são as mais afetadas por este comércio hediondo.”
A mensagem sublinha que o “crescente abismo” entre ricos e pobres força muitos a viver em “circunstâncias precárias, deixando-os suscetíveis às promessas enganosas dos recrutadores”.
Este fenómeno é particularmente perturbador no aumento da chamada ‘escravatura cibernética’, na qual os indivíduos são atraídos para esquemas fraudulentos e atividades criminosas, como fraude online e contrabando de drogas”, indica o Papa.
Leão XIV considera que estas formas de violência “não são incidentes isolados, mas sintomas de uma cultura que se esqueceu de amar como Cristo ama”.
A mensagem desafia as comunidades católicas à “oração e à reflexão” para “resistir à indiferença perante a injustiça”.
“A reflexão sobre o tema permite-nos identificar os mecanismos ocultos de exploração nos nossos bairros e nos espaços digitais. Em última análise, a violência do tráfico de seres humanos só pode ser superada através de uma visão renovada que considere cada indivíduo como um filho amado de Deus”, sustenta.
O Papa agradece a todos os que trabalham junto das vítimas do tráfico, incluindo as redes e organizações internacionais.
“Gostaria também de agradecer aos sobreviventes que se tornaram advogados em defesa de outras vítimas. Que o Senhor os abençoe pela sua coragem, fidelidade e compromisso incansável”, conclui.
O Dia Internacional de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas é celebrado na Igreja Católica por ocasião da memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita (8 de fevereiro), religiosa sudanesa que foi escravizada desde os sete anos de idade.
OC
