Carta divulgada na revista mensal da «Praça de São Pedro»
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Cidade do Vaticano, 27 fev 2025 (Ecclesia) – O Papa escreveu a uma mãe de Roma que perdeu o seu filho de 21 anos num acidente de viação, sublinhando que as palavras são insuficientes para acompanhar a dor dessa perda.
“Querida Cinzia, a tua oração nasce da dor mais atroz e antinatural: a perda do teu filho Fabrizio. Eu disse recentemente, como te lembras, que não há palavras, nem mesmo palavras de conforto, mesmo com a melhor das intenções. Mesmo essas palavras podem acabar por aumentar a ferida”, refere, num texto publicado hoje na edição da revista mensal ‘Praça de São Pedro’.
A missiva é uma resposta à carta da mãe, que coloca ao Papa várias perguntas: “Porque é que o Senhor não salvou o Fabrizio dando-nos esta grande dor sempre presente nos nossos corações?”.
“Não há sequer palavras para descrever uma mãe ou um pai que perde um filho. A mulher que perde o marido é uma viúva. O marido que perde a mulher é viúvo. Uma criança que perde um dos pais é órfã. Mas para um pai que perde um filho não há palavra”, indica Francisco.
O Papa dirige-se a Cinzia e ao seu marido António, convidando-os a confiar na “intercessão de Maria”.
Não podemos ter todas as respostas diante do mistério do sofrimento inocente. Também hoje Maria participa e partilha a vossa dor como mãe da humanidade, mãe de todos nós. Uma mãe que está perto, que se detém no silêncio e acompanha cada coração despedaçado”.
O Papa cita ainda São João Paulo II, o qual afirmou que “não há mal do qual Deus não saiba tirar um bem maior”.
“Isto deve dar-nos esperança, queridos Cinzia e António. Na oração, na graça que Deus nos dá todos os dias sem medida, no progresso do nosso caminho de fé, na nossa vida sacramental, abramos sinceramente o nosso coração. Jesus, que chora connosco, semeará nos nossos corações todas as respostas que procuramos. O encontro com Ele é o Amor que salva, o Amor maior que todo o mal”, conclui.
OC