Vaticano: Papa encontra-se com jovens de Roma e sublinha que «vida de links sem relação ou de likes sem afeto» dececiona

Dias após o encerramento do Jubileu 2025, Leão XIV foi recebido em clima de festa na Sala Paulo VI

Foto: Vatican Media

Cidade do Vaticano, 10 jan 2026 (Ecclesia) – O Papa encontrou-se hoje com os jovens da Diocese de Roma (Itália), no Vaticano, e convidou-os jovens a construir relações de “afeto”, falando no problema da solidão.

“Uma vida de links sem relação ou de likes sem afeto dececiona-nos, porque somos feitos para a verdade: quando ela falta, sofremos. Fomos feitos para o bem, mas as máscaras do prazer descartável traem o nosso desejo”, afirmou Leão XIV, na Sala Paulo VI.

De acordo com o portal Vatican News, milhares de jovens participaram no encontro e receberam com grande entusiasmo o Papa, num momento que ficou marcado por música, testemunhos e perguntas ao pontífice, pouco tempo depois da conclusão do Ano Santo 2025.

Fazendo referência à solidão que afeta os mais novos, juntamente com os sentimentos de desilusão, desorientação e tédio que os acompanham, o Papa mencionou que “quando essa monotonia obscurece as cores da vida”, vê-se “que é possível estar isolado mesmo no meio de muitas pessoas”.

“Na verdade, é assim que a solidão mostra o seu pior lado. Não somos ouvidos porque estamos imersos no barulho das opiniões. Não vemos nada porque estamos atolados por imagens fragmentadas”, indicou.

Nestes momentos de desânimo, o Papa exortou a afinar a sensibilidade, a prestar atenção e abrir os olhos, uma vez que a criação lembra que ninguém está sozinho: “O mundo é feito de ligações entre todas as coisas, entre os elementos e os seres vivos”.

“No entanto, por mais que continuemos a respirar o ar que está à nossa disposição, continuamos ofegantes. Por mais que comamos alimentos, mesmo que sejam bons, eles não nos saciam e a água não mata a nossa sede. A disponibilidade da natureza não nos basta, porque não somos apenas o que comemos, bebemos e respiramos”, disse.

Leão XIV incentivou os jovens a, nos momentos em que se sentirem sozinhos, recordar-se que Deus nunca os abandona.

“Cada um fica sozinho se olhar apenas para si mesmo. Em vez disso, aproximar-se do próximo faz com que se torne imagem do que Deus é para si, pois Ele traz esperança à sua vida, para que a possa partilhar com o outro”, destacou.

Antes do compromisso desta tarde, Leão XIV disse ter recebido uma mensagem da sobrinha, também jovem, que lhe perguntou: “Tio, como é que consegues lidar com tantos problemas no mundo, com tantas preocupações?’.

E a mesma pergunta: ‘Não te sentes sozinho? Como é que consegues seguir em frente?’. E a resposta, em grande parte, são vocês, porque não estamos sozinhos!”, referiu.

No encontro, Leão XIV fez memória do Jubileu 2025, agradecendo o acolhimento que a Igreja de Roma ofereceu a tantos jovens que vieram de todo o mundo durante o Ano Santo.

“Foi realmente grandioso! Mas muitas vezes a solidão existe e muitos sofrem”, reforçou.

Foto: Vatican Media

O Papa apontou o encontro com Jesus como o lugar de onde vem a força para mudar a vida e transformar a sociedade e expressou alegria por saber que das experiências autênticas vividas pelos jovens nas paróquias, nos oratórios, nas associações, mas advertiu-os para não contarem com o reconhecimento fácil.

“Não esperem que o mundo vos receba de braços abertos, pois a publicidade que quer vender algo para consumir atrai mais público do que o testemunho, que quer construir amizades sinceras. Ajam, portanto, com alegria e tenacidade, sabendo que, para mudar a sociedade, é preciso antes de tudo mudar a nós mesmos”, realçou.

O Papa respondeu também ao desejo que os jovens tinham de saber o que fazer em concreto para romper as correntes que aprisionam, apontando como chave a oração, o “ato mais concreto que o cristão faz pelo bem de quem está ao seu lado, de si mesmo e do mundo inteiro”.

Rezar é um ato de liberdade, que quebra as correntes do tédio, do orgulho e da indiferença. Para inflamar o mundo é preciso um coração ardente, e Deus acende o fogo quando rezamos, especialmente quando O recebemos e O adoramos na Eucaristia, quando O encontramos no Evangelho, quando O cantamos nos Salmos”, acrescentou.

Concluindo, Leão XIV fez um convite aos jovens a olharem para os santos como testemunhas da verdadeira liberdade.

“Juntamente com eles, seguimos em frente no caminho, sabendo bem que o verdadeiro bem da vida não se pode comprar com dinheiro nem conquistar com armas, mas pode-se doar simplesmente porque Deus o dá a todos com amor”, manifestou.

Foto: Vatican Media

No encontro, o Papa fez referência à tragédia num bar da estância de esqui de Crans-Montana, na Suíça, que provocou a morte de 40 jovens, numa festa de Ano Novo.

“Também nós devemos lembrar que a vida é tão preciosa que nunca podemos esquecer aqueles que sofrem. Infelizmente, aquelas famílias ainda em dor têm agora de procurar superar essa dor. E também por isso é importante a nossa oração, a nossa unidade, que estejamos sempre unidos como amigos, como irmãos”, disse.

A Sala Paulo VI não foi suficiente para acolher os milhares de jovens, acompanhados por sacerdotes, religiosos e educadores, tendo muitos deles acompanhado a sessão através dos ecrãs instalados na Praça de São Pedro.

LJ

Partilhar:
Scroll to Top